quarta-feira, 8 de abril de 2015

Big Brother e a ética

  De longe muita gente critica o programa pela vulgaridade e falta de conteúdo. Porém, se esquece, por ignorância talvez, que é mais viável pegar tipinhos comuns, assim é mais fácil para o que assiste se identificar. Você precisa lembrar também que mídia se alimenta de publico, ou seja, precisa de massa. Não adiantaria colocar um viado vegano que provavelmente odiariam, mas sim um rapaz jovem forte e heterossexual que lutariam para que ficasse. Se você acha que estou sendo preconceituosa, querido, é o mundo. Eu vejo o Big Brother além de um showzinho, como uma experiencia sociológica. É o sonho de qualquer sociólogo, pegue 16 pessoas por ai, comuns, e as isole junto. Elas não devem se conhecer! Porque o mágico é ver a convivência rolando. Ou você acha que seria a mesma coisa com gente conhecida? Então, eles dizem que estão sendo filmados, vistos em rede nacional e põe um prêmio. A discórdia está feita. O que importa agora não é se convivo com o pessoal de forma harmônica, mas sim se agrado o público. E pra isso disfarçam, criam máscaras gostáveis de si mesmos para que isso ocorra. É uma coisa que acontece em meios sociais com meritocracia, como o trabalho, a família, um namoro ou mesmo na escola. E tudo acaba por se resumir a ser uma boneca cheia de ensinamentos éticos da sociedade, ser o que os outros querem que eu seja. Muita gente vive assim, tentando ganhar uma gratificação por ser "boa". A convivência social se esvai, não importa mais, só preciso puxar saco de alguém. Isso faz qualquer relacionamento se tornar uma farsa, pois não está ali mais pelo relacionamento, se está pelo prêmio. Nessas ocasiões, geralmente há uma autoridade com status e ultra respeitada. Seja o pai, o chefe, a gostosa, o professor, etc. No caso do programa, ele traz uma situação adversa : a sociedade toda como autoridade. É como se de repente, todo mundo quissesse avaliar seus atos e toda hora. Logo, se quiser que gostem de você, adeus toda sua personalidade. Poucas pessoas no mundo amariam alguém como ela é, a maioria precisa viver pensando em idealizações que faz dessa pessoa. Sabe, aquela menina linda também é nojenta e não toma banho, ou aquele rapaz que você gosta de tanto dar, usa viagra porque não se excita com você


  Temos uma situação fdp aqui : Você agradar as autoridades (família, chefe e etc) e a agradar a sociedade. Sendo que se agradar um, talvez, não agrade o outro. Poxa, quem ganha isso ? Aquele que tem as relações de autoridade máxima ligadas com a sociedade no geral. Ou seja, o comum possível. Aquele que você vê facim na rua e que ninguém sente um odiozinho só de ver. Os pais desse serem alinhados no sentido de seguirem toda ética daquela sociedade, o mesmo valeria para qualquer outra autoridade importante para aquela pessoa. O comum vence o jogo, ele já vive agradando essas pessoas sem mentir, gostam dele, seu pupilo. Ele nem precisa se esforçar, o homem de barro é solido. Sem carne, sem osso, nada além de terra. E existem muitos assim, "puros". O problema da nossa ética é que ela é muito que idealiza alguém. Uma coisa muito ouvida é "O ideal é você ser x e y, o z, nunca seja o z", nossa ética é baseada numa coisa que nem existe. É uma pessoa que ama a família, ama o pais, trabalha em administração, ama Jesus, odeia os nazistas sendo nazista, não é gay ou sei la o que, branco, joga futebol e odeia violência, não joga videogames e vai em baladinha hype fuder pessoas, quem ou quê não importa.  Existe alguém assim? Existe, só que isso não serve pra todo mundo. Esse é o problema da nossa ética na sociedade...Você é obrigado a ser ideal e esse ideal serve pra poucos.

 Que solução temos? Bem, não sou eu que vou te dizer.

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