sábado, 24 de janeiro de 2015

A loira

  Quem sou eu? Hmm, uma loira qualquer, uma anonima. Mais uma esperando a morte, como tudo espera...Não me importo com nada realmente e não ligo a minima em tentar me encaixar nessa...sociedade. É, eu sou uma errante, um erro, uma marginal que vive no limiar entre o selvagem e civilizado. Sabe, eu não era assim, mas desde cedo era predestinada para essa coisa..
  Eu devia ter uns 9 anos, era uma garotinha fofa que adorava pôneis, fadas, princesas, rosa e ursinhos de pelúcia. Adorava brincar de casinha com minhas amigas do bairro, quase sempre tomávamos chá de tarde, traziamos nossos brinquedos favoritos. Soki, um panda muito fofo que tinha olhos de coração..Adorava ele...Toda vez que minha madrasta se drogava e virava uma vaca chata de bosta, ela descontava em mim..Me batia, ai eu corria pro Soki chorar......De qualquer forma isso não importa mais, morreu...
  Lembro que chovia no dia que descobri minha selvageria, era meio que sexta-feira. Passei o dia na casa de uma amiga, Cloe, brincando de fada. Claro que ela era a fada, eu a princesa. Ela gostava de ajudar as pessoas e eu sempre preferi fazer o quero. O pai dela vivia tomando uns remédios porque ele tinha problemas com a tristeza da morte da mãe da Cloe. Ela dizia que ele passava dias sem comer, doente..Cloe que cuidava dele, inclusive ela que o incentivou a ir no médico. Com certeza, ela é uma anjo....
  Ela era muito solitária, nem sempre ela vinha nos chás de tarde e falava sempre em ter uma mãe, isso afetava muito ela...Quando a conheci, estava no parque e ela não conseguia ir no escorregador porque tinha muito medo. Ai, eu a ajudei a subir e começamos a brincar muito juntas..Nos dávamos bem. Cuidava dela e ela de mim, amigas para sempre...
  Naquele dia chuvoso, Cloe falava muito na mãe...Ela me olhava diferente...O pai dela me trouxe pra cuidar dela porque ele ia passar o dia resolvendo negócios no centro da cidade. Cloe tinha medo de trovão e ai sabe, cuidava dela. Brincávamos normalmente até que ela larga a boneca no chão. Eu tento perguntar pra ela o que deu e etc, me assustava, nunca a vi assim...O telefone tocou e era meu pai vindo me buscar. Aí ela começou com um papo meio " Por que não ficamos juntas pra sempre? Vou ficar sozinha sem uma mãe.....". Aquilo me assustou tanto, aquela garotinha com a minha idade me ver como sua mãe....
  Naquele dia fui pra casa meio assustada...confusa. Meses se passaram e as aulas voltaram..Não parava de pensar naquele dia, desde ali não era a mesma...Pode parecer bobo, só que, aqueles olinhos azuis cheios de lágrimas, o cabelo ruivo arrumadinho que virou bagunça, caos...Nesses meses Cloe tinha se mudado pra longe, foram morar num bairro fechado num residencial luxuoso que o pai dela conseguiu..Enquanto isso o meu pai vivia mal porque trabalhava muito e suspeitava que a sua namorada o traía.
Um dia eu peguei um ônibus para passear pela cidade...Comprei uns doces numa lojinha e de repente de longe vi a madrasta entrando num hotel com um cara. Fui atrás, a segui. Vejo de longe que vão parar no 9 andar, corro rapidamente para as escadas e subo, até meu fôlego sumir...Abro a porta das escadas e consigo ver o cara que ela tava saindo de um quarto pra buscar algo. Rapidamente entro no quarto, ela estava no banho. Pareciam que sei lá, fariam algo..Na época não tinha ideia do que era. Ouço um som dela saindo, fico desesperada e me escondo no armário. Ela estava nua e começou a vestir umas roupas sensuais. Não entendia porque o soutien deixava os mamilos pra fora ou por quê da calcinha dela ser tão pequena.
  Ele chega com bebidas e ai eles começam a beber e se pegar...Vi tudo, os dois fazendo coisas que pareciam ser dolorosas ás vezes, boas pelos sorrisos...Ali senti uma leve esperança que de repente fazendo aquilo, eu seria feliz de novo...Ai saio e pergunto, "podem fazer isso comigo? "..Era inocente, bobinha.. Eles eram adultos irresponsáveis e disseram que sim....
  Ela me levou ao chuveiro. Lá ela me lavou por inteira, tudo, até por dentro...Me passou maquiagem e uns perfumes. Ele sorria tanto pra mim, me deu um copo de champagne...Beba, ele dizia..Ela falava coisas como " Hoje você fará coisas que te mudaram..."
  Me mandaram tirar a roupa e me olhavam, pareciam gostar muito de mim. Eles ficam nus também..Se aproximam de mim, ele me beija na boca e me sinto tão bem...Logo depois ela faz o mesmo...A moça veste uma calcinha com um bilau grande e aquilo me bugou tanto por um tempinho..Enquanto isso ele me deitou e ficava em cima de mim...Começou a por o pau em mim e me fazia sangrar, tive medo de morrer...Não me importava tanto, já que me sentia tão bem...Ficamos um tempinho assim, ai de repente ele deita e me faz ficar de 4. Ali entendi aquela calcinha estranha...Ela poe o pau na minha bundinha e foi bom, era exageradamente grosso e me machucava um pouco.....Os dois me penetravam ao mesmo tempo...E iam me dando bebidas.
  Uma hora, pararam com isso ai, me amarraram de 4, de modo que ficasse de bunda pra cima. Pegaram parte da garrafa de champagne , quebraram e fizeram um funil. Colocaram na minha bunda, onde pegaram toda a bebida que tinham ali...Fizeram o mesmo na minha vagina e boca...Fiquei muito tonta, assim me amarraram deitada e jogaram um álcool no meu braço. Puseram máscaras de cirurgia, começaram a pegar facas e tal, comecei a me desesperar....A moça começa a cortar meu pulso esquerdo, dóia tanto...A dor era pior que morrer...queria morrer ali....Quando ela termina ela me mostra..Ai começo ouvir eles falarem sobre tirar um dos olhos, sobre tentar desenhar coisas no meu corpo...
  Vejo eles começarem a pegar umas seringas e colheres. Põe tipo um pó lá com uma aguinha e esquentam por um tempo..Só mais tarde fui descobrir que era heroína. Quanto mais punham, mais da morte sentia, junto com um prazer que me fazia querer mais.....
  Acordei num apartamento estranho presa dentro de uma caixa com um vestido diferente e com faixas pra todo lado...Ouço vozes falando em me vender...

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