domingo, 21 de setembro de 2014

Clara - Miragem no espelho (5)

  Seis semanas se passaram e esse cara mudou completamente a rotina do hospicio. Ele tirou nossas atividades, nos tornou limpadores e cozinheiros. Todos eram tratados com desprezo, menos alguns que passavam mais tempo nas consultas. Boatos falavam que alguns faziam filmes, outros sumiam para experimentos, chegaram a falar de sessões sadomasoquistas. Eu até agora não tive uma consulta longa com ele, porque nunca dei bola para ele...Ando muito só, Sofia não aparece desde que o doutor se foi.

  Resolvi andar pelo jardim, cheio de flores e árvores, pássaros diversos, alguns idosos e nos fundos temos uma horta, que nunca deixam ver. Estava cheirando umas rosas, até que uma menininha muito fofa, cega de um olho, o que enxerga "amarelo"(ocre acho).

- Moçaaa - Disse a pequena
- Quem é você ? - Me abaixo e pergunto
- Você
- O seu nome, garotinha.
- Clara
- Eu também, sabe seu sobrenome ?
- Não e aposto que você também não sabe.
- Sou Clara dos.....não...aaaa

  Sinto uma fraqueza, minha visão some, eu desmaio...

  De repente ouço tambores. Estou vestida de branco, um vestido apenas. Ouço vozes dizendo "Ela acordou, ela acordou". Estou assustada...

  Saio dessa cabana e me deparo com uma legião de homens com calças brancas, ajoelhados, repetindo coisas como "A deusa da morte acorda". De repente, um homem velho e barbudo com um cajado aparece.

- Silêncio pela Deusa - Gritou ele - Um novo tempo virá, onde nada será como antes, ninguém pode impedir o desejo da Deusa da morte. Agora tragam os sacrificios à ela.
- Sacrificios ?!? Você diz matá-los ? (Como isso me excita...)
- Exato, minha Deusa.Com instrumentos sagrados.
-  Wow !! (Isso parece tão bom)
- Sabiamos que ia gostar...

  Me levam à uma espécie de palco, nele tem uma mesa com uma variedade enorme de facas e espadas. O shamã( ou pai de santo, sei lá) anuncia a chegada das oferendas :

- Deixem a profecia se realizar, tragam os 13 sacrificios. Seis homens e seis mulheres e um ser sem sexo.

  Os 13 estavam em gaiolas, presos nus com correntes. E não eram pessoas aleatorias, todas bonitas..

-Tragam o primeiro homem. - disse o velho que não sei o que é.

  Um rapaz jovem, diria que com uns vinte e poucos. Se ajoelha no centro do palco, chorando...Pego uma espada pesada, como as dos clássicos cavaleiros, me aproximo e pergunto :

- Por que chora ?
- Vou morrer, sua vadia. - responde
- Mais respeito, quem empunha a espada sou eu. Responde sério.
- Eu tinha uma vida, faculdade de medicina, todos me amavam....- Ele chora mais, acho fofo - Me deixe viver!!!!

  O som da lâmina domina o ar, a espada quebra o ombro e vai até o peito, ele treme, a dor deve ser desolante. Eu removo a espada, ele olha pra mim assustado. Corto seu pescoço num gesto e a cabeça cai longe...Um pouco de sangue cai no meu vestido......Como gosto de matar.......

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