domingo, 3 de agosto de 2014

Clara - A assassina (4)

  Ana parecia assustada, tremia muito e me olhava com estranheza. Talvez valorize mais a vida, ou algo assim, depois de uma experiência dessas. Gosto dela, não como antes, ainda adoro aqueles lábios com um piercing no lado esquerdo.  Ela começa a tremer mais e a quase chorar e eu a digo :

- Ei
- Que foi? - disse ela
- Eu sei como sair dessa e você vai ficar bem também.
- Moça- me aproximo dela- Me beija
- O quê?  Por quê?
- Pra se sentir melhor...
- Porque teria esse efeito.
- Você sabe...
- Não...a gente nem se gosta...
- Ok......Tudo bem se quiser ir.
- Adeus.............Clara.
- Até depois.

  Ela se foi...Bem, agora preciso lidar com a polícia. Vou vestir minhas roupas novas e usar as escadas. Sei que tem uma ala médica nesse prédio, talvez possa me disfarçar lá e ficar numa boa. Tem uns 5 andares até lá. Por enquanto vou tomar um banho....Demoro um pouco. Resolvi não usar roupas íntimas, já que pra onde vou não vou precisar....

  Saindo de toalha ouço alguns passos na casa, provavelmente a polícia. Vou devagar e na sala percebo alguns policiais, 2 deles. Jovens...Desço as escadas e falo com eles :

- Olá, garotos. No que posso ajudar?
- Estamos atrás de uma adolescente que matou uma senhora e um homem no elevador, você a viu? - Diz o sem capuz
- Na verdade não, estava no banho.
- Quem é você?  - Diz o sem capuz
- Uma amiga do Novak
- Nome!! - diz o sem capuz
- Elizabeth de Sombra Li. E vocês?
- Capitão Valter- diz o sem capuz- e esse é o soldado Carlyle- apontando pro de capuz.
- Se não é incomodo perguntar, por que um soldado está em algo que é para os policiais?  O mesmo você, capitão, é algo grave?
- Confidencial- diz o Capitão
- Imagino que não tenham jurisdição num prédio de rico ou como emitir um mandato algo assim. Devem estar utilizando esse evento como desculpa pra buscar algo importante, certo?
- Certo- diz o soldado mascarado, dava pra ver a boca dele ainda, sorria levemente pra mim.
- Não podemos contar- diz o capitão reprovando o soldado
- Posso ajudar.
- Não pode- diz o capitão
- Deixa ela falar- diz o soldado
- Ok- diz o capitão
- Imagino que teoricamente não deviam estar aqui, assim como eu. Sou prostituta e devia estar em casa ou em algum lugar que não precisa dar tantas explicações pro meus pais.
- Você é menor?  - Diz o soldado
- Assim você até me ofende- digo
- É que seus peitos ...- Diz o soldado
- São grandes, sei....
- Eii- diz o Capitão
- Que foi?  diz o soldado
- Posso guiá-los entre os andares, não sei o que querem, mas posso servir de mapa. - digo...
- Tudo bem- diz o capitão- Vista-se rápido e vamos.
- Ok

  Como eu menti. Não devem ser muito experientes. Parece que a minha dedução bate, mas como são ágeis. Não tem foto minha, o que é estranho... Deve ser algo grande....Por que será que enviaram oficiais jovens? De qualquer forma melhor me cuidar.

- Vamos? - pergunta o Capitão
- Sim- digo- estou pronta, demorei porque passei uns óleos e cremes. Desculpa.
- Tudo bem, vamos depressa....

  Os sigo até um apartamento no andar de baixo, onde parecem manter uma base acho. Cheia de equipamentos e armas e computadores e etc. O Capitão foi falar no rádio e eu fui olhar as armas e etc.

- Gosta de armas?  - pergunta Carlyle
- Prefiro facas- digo
- Beth, posso te chamar assim?
- Posso te chamar de Carl?
- Claro, Beth.
- Rsrs, você é engraçado.
- Tudo bem, rsrSr fico meio sem o que falar.
- Fofo......ei, por que usa máscara?
- Porque sou o melhor.
- Já ficou sem?
- Fico, às vezes.
- Quer ver minha faca?
- Você anda com uma?
- Claro, porque as ruas não precisam..err quer dizer, são caóticas.
- Não ia mostrar?
- Uhm Sim- tiro minha faca do meu short- O que acha?
- Bela e tem algo escrito "De assassino pra assassino, use com amor".
- Eu comprei hoje e nem vi.
- Sexy.
- O que?
- Nada, é bem assustador.
- Sei.

  A gente fica num silêncio constrangedor e pedindo uma ação um do outro, ele começa a se aproximar devagar...E o Capitão chega :

-Parece que se deram bem.....Agora não, ok? Temos uma situação grave nas mãos. Melhor te contar tudo, moça.
- O que?  - digo
- Temos um grande empresário da indústria de armas no prédio. Ele vende pra extremistas no mundo todo. Carlyle é só um infeliz que era a última opção e me mandaram ele. Cadete ainda. E temos que pegar esse cara aqui, "vulnerável".
- Por que aspas?
- Ele tem segurança pessoal fortemente armada.
- Talvez eu não seja de grande ajuda.
- Talvez, ouvi falar que gosta de facas não?
- Eu uso pra me proteger.
- Já serve.
- hmm
- Eu tenho um plano. - Ele nos guia até uma tv com uma maquete 3D do prédio- Ele fica num andar fantasma.
- Como assim? - pergunto
- Um andar que não se acessa pelo elevador ou pelas escadas normalmente. Constroem geralmente no meio pra justamente evitar suspeitas. O mais clássico é ser no subterrâneo, a inteligência diz ser no meio.
- Como vamos acessar? - pergunta Carl
- Você sabe, esqueceu? - pergunta de volta o capitão.
- Só quero dar essa, porque fui eu que descobri. - diz Carl
- Vá em frente- diz o capitão
- Esse prédio é altamente monitorado. E pra isso tem câmeras por todo lado. Trouxemos essas armas com amigos aqui dentro. Eles tem uma Central de segurança no subterrâneo e pra acessar precisa de um cartão e uma senha. O mesmo acontece com nosso alvo.
- Temos que ter 2 cartões e 2 senhas?
- Exato, gostosa, err...menina.
- Tem uma coisa que não encaixa. Vocês são mesmo oficiais?

   Eles se olham e Carl pega nos meus ombros e diz :

- Somos terroristas, meu doce.
- Meio que suspeitava.
- Sim, vocês saberiam quem eu sou se fossem oficiais.
- Tá né. Vai ajudar?
- Garotos, eu preciso ir.
- Melhor que fique- o capitão saca uma pistola
- Calma- diz Carl- Ela não sabe tudo e não sabe quem somos.
- Eu realmente não me importo- diz o capitão

   Nesse momento um leve ar passa ao lado da cabeça de Carl e o som da lâmina domina o ar. O capitão está morto......

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