sexta-feira, 18 de abril de 2014

Uma volta pela sujeira

  Eu havia saído da escola e pegado o melhor ônibus pra ir pro centro. Peguei um bom lugar sentada. Chovia muito e o céu estava muito cinza. Havia nuvens brancas e cinzas por toda parte. Era lindo. A chuva deixa as coisas mais bonitas, na minha opinião. Até aí o dia não foi bom, foi ótimo só por isso. Enfim, cheguei no terminal, fui pro centro. Muita gente por lá por volta de meio-dia. A cidade é meio parada, mesmo sendo capital, mas nessa hora toma fôlego e se torna um lugar cheio. Eram estudantes, gente que trabalha, gente que não faz nada, enfim, gente pra todo lado. Eu fui recarregar o celular pra falar com a minha amiga. Fui no único lugar que lembro que fazem isso. Eu não sou de sair muito, então não sei direito onde ficam as coisas. A senhora que atende não estava com bom humor, me parecia que tava com TPM ou algo do tipo, ou tinha algum problema mesmo, ou tudo junto. Então, ela me deu uma ficha e eu a grana, vinte e cinco reais pra ganhar um bonus. Esperei um pouco e já fui atendida. A moça que me atendeu parecia estar melhor, mas com um ar de cansada. Mesmo assim foi simpática. Ela recarregou e demos até uns risos. Sai de lá e fui pro terminal. No caminho eu vi a decadência. Perto do mercado público tinha um cara imitando um profeta, uma estátua. O que isso tem de decadente ? O profeta não é nada além de alguém que se aproveita da dor alheia. Ele simplesmente inventa uma situação futura, sendo caótica oferecendo salvação, sendo pacífica a vida até lá. É realmente muito triste, tanto pra quem segue tanto pro profeta, se desvalorizarem assim. Continuei meu caminho após essa figura. Logo reparei que muita gente fazia o mesmo por ali, não sendo o profeta em específico, mas fazendo algo parecido. Alguns ofereciam pendrives, outros relógios, outros perfume, enfim, todos tinham algo pra vender. Nenhum produto ali tem qualquer garantia de ser bom, assim como o produto do profeta. Cheguei no terminal e vi uma mulher tatuada com flores vermelhas nos braços, usava alguns piercings e fumava. Era o esteriotipo de uma rockeira em pessoa. Parecia incomodada com algo, porque fumava como se algo não tivesse dando certo. Enfim. Continuei e peguei meu ônibus. Fez sol durante o caminho, e eu odiei.

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