terça-feira, 8 de abril de 2014

Sophie - A pequena insanidade

  Era uma primavera incrível, o sol brilhava, o clima era agradável, belas flores por toda cidade e leves brisas mexiam as árvores. Tudo era lindo, tinha tanta cor, havia uma espécie de saturação destas. Nesse ambiente estava Sophie, uma moça de estatura baixa e com jeito de francesa, apesar de morar no Brasil e nunca ter estado na França. Ela era comum, com o castanho nos olhos e cabelo, como a maioria das pessoas..Porém algo nela era diferente, havia uma graça, um jeito só dela de ser e que não tinha vergonha de ser daquela forma. Todos somos únicos, só que apenas alguns não tem medo de ser e não jogam isso fora.
  Num desses dias com ares de paraíso, resolveu sair um pouco, caminhar por aí. Colocou um vestido azul claro bem gracioso, colocou uma pequena flor amarela que guarda desde a infância no cabelo. Era de uma falecida irmã gêmea que ela amava muito. Eram companheiras em tudo, faziam várias coisas juntas. A irmã, que se chamava Joan, ela amava flores e as estudava por prazer. Sophie era mais uma artista e pintava quadros com várias coisas diferentes. Chegou a pintar um quadro com o sangue dela e deu de presente a irmã. Em retribuição, Joan lhe deu a pequena flor que ela mesmo fez, era um prendedor de cabelo simples com uma flor, mas para a Sophie era uma forma de nunca esquecer da irmã. Joan graças a empréstimos para financiar a loja e os estudos, começou a se comprometer financeiramente. Como conhecia flores, sabia o que era heroína. Depois de vários e vários usos, ela teve uma primeira overdose. Quase morreu e foi internada. A loja teve que ser vendida. Anos se passam e Joan se recupera, aparentemente. No terceiro dia aparece com cortes por todo corpo. Cuidaram com curativos. No quarto dia em diante não disse uma palavra sequer e não comia. No quinto dia fez mais cortes. Só que não conseguiram curar, porque ela se tranca num quarto. No sexto dia sai e se deixa para que homens se satisfaçam com ela de graça. Tudo pra conseguir carona até a antiga loja. Lá dorme. No sétimo dia se mata.
  Aquela pequena flor não era só isso, era lembrança de uma pessoa especial, dos bons tempos com ela. Enfim, Sophie nesse dia só queria ser feliz. Saiu sem hora pra voltar. Passou numa floricultura e comprou rosas brancas, daquelas que representam a paz. Ela não sabia pra quem iria entregar, só daria pra quem ela se interessasse. Saiu por ai com as flores, visitou museus, lojas, parques e etc. Andou por quase toda cidade. Até que passa na única praça com uma Sakura (cerejeira japonesa) e encontra um belo jovem. Ele tinha um rosto angelical, com um corpo de um guerreiro pronto pra guerra. Ela suspira e caminha até ele. Eles se olham e ela oferece as flores e diz :
-Toma, pra você - e sorri
- Mas por que ? - disse ele surpreso
- É porque gostei de você, pois você é perfeito ! - novamente sorrindo e dessa vez de uma forma assustadora.
- Ok - disse ele como se duvidasse dela - Você quer me atrair pra algo ? Como um assalto, estupro, ou algo assim ? - continuou
- Bem, sim
- Para o quê ? - Disse ele sorrindo
- Vou te matar - disse sorrindo e se aproximando da boca dele.
- Hmm, vamos pra minha casa linda !
- Tudo bem, gostoso.

  Ela foi com ele pro apartamento dele. Ele com um sorriso bobo de "vou transar hoje e vai ser com uma gostosa" e ela com um sorriso de "vou te matar mesmo seu bobão". Durante o trajeto foram se pegando sem penetração, ou seja, fazendo as preliminares. Chegam e se beijam como um casal apaixonado. Sobem com o elevador como naqueles filmes românticos, começam a tirar peças de roupa já ali. Chegando no apartamento de jogam na cama e começam a se pegar. Ela fica em cima dele, ambos já sem roupa, ela tira um punhal guardado numa parte do vestido.

- O que vai fazer com isso ? - Disse ele
- Vou te matar, claro. Não tava na cara ? Disse ela
- Mas por que ? O que fiz pra você ?
- Nada. É só que hoje to muito afim de matar, assim como fiz com a minha irmã.
- Você é psicopata ou algo assim ? Por favor não faça isso !!!
- Sou louca e que motivos você me daria pra não te matar ? - Disse ela posicionando a faca no pescoço dele.
- Bem..Eu te dei amor, nos beijamos muito até agora. Até agora você foi a melhor coisa que me aconteceu...
- Hmm, não sei. Duvido que diria o mesmo se eu não estivesse nua, com seu pênis em mim e te ameaçando com uma faca. Sei lá, to muito afim de matar. Não é nada pessoal, só estou fazendo um hobby, que por sinal é algo bem normal.
- Ah, por favor não me mate !!Te dou qualquer coisa !!! E por favor não me mate !!
- Tipo o quê ?
- Qualquer coisa !!!
- Que tal tortura ? Amo torturar - disse entuasiasmada
- Ok
- Vou te algemar e fazer uma arte usando queimaduras e cortes.
- Desde que não me mate..
- Sim, morrer não faz parte da tortura.

  Algemou braços e pernas e novamente encaixou-se na posição anterior.

- Que isso ??!!? - Disse ele espantado
- Ue ? Não posso me satisfazer também ? Imagino que está amando toda essa situação.
- Não, porque você é uma assassina que matou a própria irmã.
- Na verdade era uma piada, porque éramos gemeas e ela se matou olhando o espelho.
- Não tem nenhuma graça.
- Eu sei, mas eu sinto culpa daquilo tudo. De certa forma, fui eu
- Por quê ?
- Bem, ela se sentiu muito mal e eu não estava lá. Vou começar o primeiro corte, vai doer.
- Arghhh - gritou de dor - Mas ela talvez não tenha te chamado por medo ?
- Medo do que ? - fazendo entrar e sair - Aii
- De repente te atrapalhar ?
- Hmm, talvez..Você aguenta bem a dor, fiz uma rosa no seu peito e você nem sentiu.
- Talvez o prazer de uma relação acabe com a dor.
- Verdade, então vou colocar detalhes nela.
- Você é bem estável pra quem perdeu uma irmã num suicídio.
- Sério ?! Obrigada. Mas por quê ?
- Conheci gente que mudou muito quando coisas assim aconteciam. Um nazista que virou judeu, uma racista que deixou de ser racista, um fanático religioso que virou ateu, e etc. As pessoas enlouquecem e você parece que não.
- Bem, sempre fui louca, por isso.
- Desde pequena ?
- Sim. Uma vez me pediram pra desenhar um gato e eu usei um de verdade. Tirei a pele dele pra usar de textura.
- Nossa, com certeza uma louca. Seus pais não diziam nada ?
- Não e até apoiavam. Segundo eles mesmos, era normal que nascesse alguém pertubado sob os cuidados deles.
- Seus pais devem ser loucos também.
- Haha, muito. Sei lá, não quero te machucar. Quero te curtir um pouco, vou tirar as correntes.

  Se olharam fixamente e começaram a se beijar, nada muito frenético, algo mais belo que os atormentariam na velhice. Depois de tudo aquilo, estavam na cama e continuaram conversando.

- Por que você é assim ? - disse ele
- Meus pais biológicos morreram. Minha mãe morta pelo meu e o meu pai morto pela prisão.
- Nossa, deve ter sido horrível.
- Foi bom na verdade. Meu pai não era legal e a minha mãe uma vaca.
- Entendo.
- Mesmo ? A não ser que seja um anjo caído do céu !
- Por que ?
- Gente bonita aguenta melhor a dor. Os feios se matam mais rápido e os belos se prostituem pra viver, antes da morte.
- Sabe, você é um pouco assustadora.
- Obrigada - e sorriu
- Você disse que seus pais te incentivavam.
- Sim, desde a época com os biológicos. Nossos pais adotivos perceberam isso.
- Como são esses pais ?
- Loucos haha
- Por que ?
- Minha mãe é uma mulher muito instável que escreve várias coisas. Gosta disso, e sempre busca mudar. Ela toca guitarra, escreve contos, e etc, enfim. Ela também é transsexual, então sempre está de olho nas pessoas. Sabe quantos grupos matariam ela ? Muitos
- Nossa, deve ser alguém incrível.
- Sim, ela é uma mãe muito boa. Um anjo.
- E o seu pai ?
- Sabe o modelo de pai ? Então, ele. Só quem sem autoritarismo e muita empatia. Também escreve, fez otimas teses pra faculdade.
- Parecem bem legais, por que os chamou de loucos ?
- Porque são muito sinceros. Uma vez eu ia sair com um cara e a minha mãe o chamou de "Mini Punk". Ele tinha uns 2 metros. Mais tarde, eu vi o quanto ele era pequeno, por dentro.
- Que loucura ! rsr
- Ela também assusta. Enquanto as outras crianças assistiam aqueles desenhos bobos. Ela colocava uns animes muitos legais e assistiamos juntas, eu, ela e a Joan. E de noite, víamos filmes de terror. Uns bem hardcore. Tínhamos pesadelos, dai ela ensinou a gente a enfrentar eles.
- Belas lembranças.
- Obrigada, mas não existem.
- Por que ?
- Faz tudo parte de um conto de alguém, não é real.
- Como assim ?
- Desde quando uma assassina transa com a presa e conta a própria história ?
- Nunca.
- Só num conto de alguém muito doente.

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