terça-feira, 15 de abril de 2014

O lugar

  Cinza como os restos de um corpo, o céu estava pálido, sem cor. Não havia vida naquele lugar, rostos insensíveis, naturezas imperfeitas, ruas sujas e doenças por todo lado. Para alguns o paraíso, para outros o próprio inferno, pobres coitados, ambos errados. O lugar não era pra fracos, não era pra doentes que deviam estar mortos, era pra os que podiam. Viver nesse lugar era um desafio, sobreviver num mundo anti natural e cruel com as formas de vida variantes. Apenas dor como companheira e guia, não há o que fazer. Não há escolha, não há o que fazer, apenas seguir os instintos mais primitivos. Sol negro no céu, sol negro nos lares, sol negro iluminando a cidade. Contrastado com o cinza apático, com as flores mortas e a carne podre dos ditos "vivos", transforma o lugar num vale da morte. Existe saída ? Existe fim ? Não há como dizer, não há como buscar, o lugar dos milhões de deuses, não há quem sobreviva.

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