terça-feira, 1 de abril de 2014

O homem barro

  Imagino que conheça o mito cristão de como nasceu o homem, já que na catequese é uma das primeiras coisas que aprendemos. Nos irritam com isso, preferem dizer que viemos do barro do que dos símios, e de certa forma concordo, mais a frente explico. Inclusive quem tem o amor cristão(que é só pra cristão, o resto eles matam) e a moral cristã no peito(bombas) e nas mãos (cruz e ak).  Sem mais introdução, o mito é simples (se não fosse as mentes simples não entenderiam, quem escreveu pensou no público), basicamente Deus pegou o barro e moldou um homem. E com o sopro da vida (que pode ter saído de qualquer buraco divino)  deu a vida ao homem.
  Esse mito especifica a origem do homem cristão, mas o vejo como analogia ao homem religioso no geral.  Quando digo religioso, levo a religião como uma atividade que alguém usa como escudo para as coisas ruins da vida. Algo que iluda e o tire da realidade. Por isso gosto sempre de dizer que existem religiões tradicionais (dessas com deuses e/ou dogmas) e outras de tipos diferentes e novas, como drogas, atividades, política (fascismo por exemplo). Continuando...O homem de barro não é indivíduo, ele é apenas uma estátua e essa só representa esteriotipos. Disso vive o homem barro, de moldes prontos. O fato de ser estátua representa sua imobilidade. Ele não troca de aparência, de expressão e pose, continua sempre na mesma, sendo só uma estátua repetida num jardim tosco que chamam de sociedade.
  E essa estátua sempre será a mesma, precisando e dependendo de seus deuses ( no caso, deus como objeto de adoração, que na minha visão é algo mais abrangente) para mudar de forma, lugar, expressão. O interessante desse mito é também o fato de ser o barro, uma terra suja, não uma terra sagrada. No barro se tem de tudo, inclusive merda, muita merda, o que explica a natureza de merda do homem barro. Que nasce de um barro qualquer, um barro cheio de impurezas que trazem doenças. Com certeza não podemos esquecer que estatuas são cegas, surdas e mudas, apesar se terem olhos, ouvidos e boca. O mesmo vale pra instintos como paladar e tato, que por serem de pedra não tem. Logo todos os sentidos do homem barro não existem, graças a sua natureza imóvel. O homem barro não é um homem, mas a representação de um.
  Apesar de aparentar sólido, o homem barro se destrói fácil, lembrando que foi feito de uma lama qualquer, aquela lama com merda. Qualquer empurrão na sua direção, qualquer vento contra ele, o derruba e o torna em pedaços em milhões de pedaços irreparáveis. Por isso és raivoso homem barro, podes morrer a qualquer ventarola, seu medo de morrer é grande, porque mesmo não tendo um raciocínio que supere as minhocas (seres que também vivem de barro), você sabe da sua fragilidade. (Mudei a narração por algum motivo, não acha ? ).
  Lembra que ia dizer que meio que concordo com alegoria de acharem que viemos do barro ? A maioria é extremamente desprezível, são a expressão da decadência de uma espécie que poderia ir mais longe, são a queda de seres que saíram na frente justamente por aprenderem e evoluirem mais rápido que as outras espécies. Não precisamos adquirir garras, as fizemos, não precisamos de asas porque também as fizemos e não precisamos nem de pelo, já que criamos algo até melhor, roupas. E aparece o homem barro, imóvel e estático declinando a espécie, superando os vírus em parasitar. A origem de boa parte dessas estátuas, veio desse homem barro. Dos símios, vieram os fortes, os aptos. Portanto saiba que sim, os fracos, vieram do barro e do barro não saem. Os fortes é claro que vieram daqueles macacos que buscam alimento em grandes alturas, que voam sem asas entre os galhos das árvores, que lutam contra animais mais mortais que eles sem medo, com certeza, os fortes vêm dos símios.....
 

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