domingo, 2 de fevereiro de 2014

Relato 086 : Abelhas e histeria coletiva

  Hoje(02/02) foi um dia chato, porém não chato como o habitual, algo que supera até mesmo o conceito de chatice. Primeiro que na noite anterior tive insônia e fui dormir umas três da manhã. Isso por si, já é ruim. Então minha mãe me acorda, umas oito horas, sem aviso nenhum de que íamos sair. Era uma visita a minha irmã que se mudou pra Palhoça (região de Floripa, porém longe ainda). O dia estava quente, tanto que dava raiva. Eu não queria ir, achei uma palhaçada porque tive que ir obrigada.
   Demorou muito para chegarmos, graças as interpretações erradas que meus pais davam no mapa do GPS. E o sol, o tédio, uma pequena revolta, tornava tudo mais longo e sinceramente, era uma morte das mais lentas. Pra tornar o dia escroto (não tinha adjetivo melhor), havia uma passeata de uma igreja cristã com um carro de som com gospel ruim e até infantil. Demorou mais ainda por isso. O que me irrita é terem bloqueado a rua e nenhuma polícia tava lá, como acontece em rolezinhos e manifestações. Sinto cheiro de grupo privilegiado...Sem contar, que vi umas mil igrejas e umas duas escolas no caminho.
   Até aí o dia já pode se considerar perdido por completo, já que chegamos meio dia por aí, ou seja, perdi umas quatro horas da minha vida em nada, mas não num nada que tem um toque de entretenimento, como ver tv ou jogar, mas um nada do tipo que se eu tivesse matando, roubando e etc, seria bom e totalmente justificado. Enfim, chegamos lá, a casa desorganizada como qualquer uma que teve novos moradores recentemente. Nada pra fazer, ninguém pra conversar, nenhum lugar pra ficar. Sem contar a convivência forçada com pessoas que não gosto e que nada tem a ver comigo. Fiquei um tempo ouvindo música...e depois resolvi deitar num colchão que ficou na sala e ali dormir.  Como haviam colocado música alto, de um estilo que não gosto muito, coloquei meus fones e fui dormir...
  Dormi a tarde toda, enquanto meus pais conheciam o novo namorado da minha irmã. Que a primeira vista parece gente boa, como o anterior que a batia, no começo. Ai por volta de umas cinco da tarde, minha mãe me acorda e me convida pra ir pra praia. Eu sinceramente não iria, mas de novo, ela me incomodou muito pra ir, então fui. Como a minha sobrinha havia ido na praia com o namorado, uma perto dali (queriam ir numa longe), minha irmã vai chamá-la. E é atacada por um enxame de abelhas. Como é genial, corre em direção ao carro, ao invés de correr pra água, como até mesmo em desenhos ditos toscos, como o pica-pau, mostram que se deve fazer isso. Ela acabou trazendo as abelhas para os carros e minha mãe que havia saído pra ajudar acabou atraindo abelhas e entrando no carro. Bom que meu pai fechou as janelas, assim matamos as abelhas que entraram. Todo mundo ficou num pânico irracional, já que não era, por exemplo, sem saída como estar no oceano sangrando e com um tubarão atrás de você, não era um acidente de avião, não era uma chacina com assassinos por todo lado, eram abelhas, nada a mais. Tanto minha mãe, minha irmã e meu sobrinho foram picados por umas dez, no máximo vinte abelhas. Até onde sei, isso não mata ninguém. Me picaram pouco e em lugares nada a ver, uma na orelha (exatamente onde se coloca brinco), umas duas na testa e uma no dedo do meio. Não dói tanto, a dor incomoda, mas não tanto. Passamos álcool nas picadas. Me ignorando completamente, vão pra casa, ao invés de irem para um posto de saúde ou algo do tipo, pra ver se precisava tomar algo ou sei lá.
  Chegando na casa dela, tomam banho e etc. Depois de um tempo começam a passar mal e advinha pra onde querem ir ? Enfim, minha irmã, meus sobrinhos e minha mãe vão com o namorado( da minha irmã) para o posto de saúde. Eu fico com meu irmão e meu pai na casa. Logo depois chegam minha sobrinha e seu namorado. O estranho nessas horas, foi que vi meu pai de uma forma diferente. Como se visse um pouco de mim. Mas não tanto, sou mais criativa e mais sensata em muitas coisas (muitas mesmo...).
  Eu era a única que ria da situação e todo mundo levava como uma tragédia. Não era uma tragédia, pois numa tragédia pessoas morrem e ninguém morreu. Enquanto ficavam toda hora falando disso seriamente, eu levava como uma experiência até legal de se ter. Eu não sentia medo, ou qualquer coisa, não ligava pra aquilo. A dor da picada incomodava a todos e eu não me incomodava tanto. Senti coisa muito pior.Aquela tristeza que um dia eu senti muito forte, fazia qualquer sofrimento parecer um pequeno corte indolor. Picadas de abelha doem, mas não tanto quanto a dor de um coração morto. De todos, havia sentido tanta dor, que morrer iria ser prazeroso, uma experiência de quase morte seria um aprendizado muito bom. Enfim, nada disso aconteceu. Nada foi tão grave quanto a histeria coletiva mostrava. Tanto que uma misera injeção resolveu o problema de todos que foram pro posto de saúde...
   Pra mim, só foi uma prova de que não tenho nada a ver com eles e que se afastar é o melhor pra minha vida....Sim, vou continuar comendo aquele doce mel num pão com manteiga...Ou num sorvete ^^

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