sábado, 18 de janeiro de 2014

...Flores...

  Caminhando pelas ruas antigas do novo mundo, ela é daquelas infelizes que só ouvem música no fone. Algo sem ideologia e puro barulho, o grunge. Ela não olha pra ninguém, odeia a todos, se fosse mutante fazia uma chacina. Sem motivos, ela vaga pelo centro da pequena grande ilha do sul brasileiro, alias, teve um motivo que largou pela vergonha. Ela queria comprar uma joia, nada caro, só que representasse algo. O problema é que tinha vergonha de ser vista...Talvez tanto tempo sendo sombra tenha a feito esquecer como é ser humana, logo a jovem se tornou sombra.
  Ela se frustou com isso, a fez decepcionar consigo mesma, no tom de “ Você quase conseguiu....sua fracassada”. Como odiava vícios, resolveu comprar um sorvete, daqueles baratos de 2 reais, que até o velho Mc Donald’s vende. Sabor misto, recomendado a qualquer ser vivente. Comendo sorvete, ouvindo músicas sobre angústias, ignorando a todos para não se irritar, pega o ônibus. Senta no lado com sol, mas afinal, existe lado sem sol num sol de meio dia ? Não era um belo dia. O sol intenso e o céu azul não a faziam sorrir. Ela preferia o caos da tempestade...daquelas que muita gente morre. perde casas, outras somem pra sempre....
  O ônibus não é um belo lugar pra se estar. Porque há gente e ele é feio mesmo...Ela ouve música, se não se mata logo ali, é tão ruim andar de ônibus que qualquer um morre um pouco ali, deixa de ser humano, quem ama andar naquilo perdeu toda a humanidade (pensava ela).  Não é a toa que os que trabalham naquelas latas pedem salários melhores, eles merecem, mesmo. Então, ele começa a andar...E o desanimo se instala nela, a viagem é longa e sem música é morte certa !
   Durante a viagem, ela só ouve música e pensa nelas....
   Enfim, chega no ponto de descida. O sol continua quente e ela usando casaco. Ela não gosta de sol, um dia ela amou, só que o sol não foi legal...e você sabe o resto. Com raiva, amor, dor, medo e um monte de coisas, ela continua o caminho pra “casa”. Um lugar cheio de pessoas que só falam com ela porque ela tem o mesmo sangue deles, apenas. Durante a caminhada, ela só caminha, caminha e ouve música. Música é tudo, sem ela, essa moça seria um cadáver perdurado pelo pescoço.....
  Depois de um tempo, chega em casa e vai pro quarto, o único lugar que ela descansa. Onde ela chama de prisão....

Aaa, não há flores nessa história...

Nenhum comentário:

Postar um comentário