domingo, 24 de novembro de 2013

A louca e o lúcido - parte 1

  Ela acordou pela manhã com vontade de matar cada ser vivo existente. A raiva transcendia a razão e o amor que sentia por alguns humanos. De pijama cinza e rosa, daqueles com shorts curto e uma blusa, ela se olhou no espelho . Pensou "Algumas pessoas eu gostaria que fossem felizes.....Não tenho ideia de como fazer isso." Eram 10 horas da manhã já, havia faltado o trabalho e iria falar a escola a noite. Estava sem vontade de fazer nada, andava de um lado pro outro, enlouquecida com os pensamentos. Até que foi na cozinha e pegou a melhor faca que tinha. Resolveu cortar um pulso e o fez rapidamente. Estranhamente a acalmou. A vontade de cortar o outro pulso era enorme, mas resistiu. Aquele corte foi o bastante pra pintar o pijama com um pouco de sangue. Com o sangue sem estancar, foi até o banheiro, estancou o sangue, fez curativo. Se olhou no espelho de novo e pensou " Como posso odiar a mim mesma a ponto disso ?".
   A perda de sangue deu sono a ela, quando foi a sala ver tv, desmaiou no chão. Acordou numa cama do quarto que dormia com o namorado. Ele disse "Você esta bem ? Me deixou muito preocupado, tentou se matar ? Por quê ? Olha, eu te amo, farei de tudo pra te proteger e deixar feliz, por que fez isso ?", ela olha pra ele, não sabe o que dizer e mesmo assim diz "Eu não sei se estou bem, não é culpa sua, é minha com minhas loucuras....Eu te amo muito, muito mesmo, você não faz ideia....Mas amor, eu não sei o que tenho " E chora. Para acalma-la o namorado a abraça. "Deita aqui, amor." Disse ela.
    No outro dia, resolvem ir num médico, um psiquiatra pra ser especifica, ambos acreditam se tratar de um problema mental. Porém era domingo, não atendiam domingo. Sem o que fazer, eles saem para algum canto. Passeiam pela cidade. Eles vêem um estudio de tatuagem, ele diz "Ei, você sempre quis fazer uma tattoo, gostaria de fazer agora ? " sorrindo. Ela olha com um olhar brilhante, um sorriso infantil..E diz "Claro, meu amor,  bem, temos como pagar ?", ele "Sim, se cada um der metade", ela "Ok então". Eles entram lá. Um lugar com pinturas incríveis na parede, alguns quadros interessantes, tocava uma música de fundo que era o calmo thrash metal. A moça do balcão era de cabelos negros, tatuada nos peitos, braços, parte das pernas e até mesmo uma tatto no rosto. A garota "Bem, vocês tem um catálogo algo assim ? Eu não tenho ideia do que vou fazer ainda, mas vou fazer hoje.", atendente( olhou pro curativo) "Cortou um dos pulsos ? Que tal uma rosa, mas não uma comum, uma igual a essa (mostrando o desenho). ?", ela "Sim, é linda ! O que ela significa ?", atendente "Ela é linda e está num mosaico, como se estivesse fragmentada. Só que, olha ! Está inteira, fragmentada mas inteira.", ela "Você me convenceu, quanto custa ?", atendente "De graça pra você. Quero te ajudar, já passei por problemas assim e também tatuagens ajudam. Eu gosto, me sinto bem...enfim...vamos ?", ela "Claro" . As duas seguem pra sala onde vai ser feita a tattoo.
    Faltou descrever o namorado. Um apaixonado desliludido pelo amor uma vez, gosta de poesias, é culto, sabe muito sobre guerras e conflitos, até mesmo conflitos de ideias, os mais perigosos e profundos da mente. Por ser negro e pobre, a família da sua namorada não aprovava o romance entre os dois. E também a moça nunca teve boa relação com os pais, saindo de casa aos 18 anos. Continuando....Ele esperava, pensava e ouvia a música. "O que que ela pode ter ?" pensava,  "..amanhã mesmo vamos no médico, não quero perdê-la...."
    A sua amada chegou correndo e sorrindo até ele, mostrando a a tatuagem nova cheia de entusiasmo "Olha, amor, ficou linda !!", olhou pra atendente "Obrigado, mesmo. Se precisar de mim, me liga", atendente "Que isso, só queria ajudar alguém que precisava. Quem sabe a gente se vê por ai.", ela "Claro ! Temos que ir, obrigada pela tatuagem e pelo apoio, até depois." Sairam da loja pro carro. "Amor, vamos pra onde agora ?" ela disse......

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