sábado, 21 de setembro de 2013

Relato 050 : Evitar danos

  Andei refletindo sobre os meus problemas, revi algumas coisas ali outras aqui. Cheguei a conclusão que na verdade tenho apenas um problema que não foi solucionado que deu vida a muitos outros, a raiz com certeza foi ele. O de não ter contado que quero ser uma menina. Porque a parte de ser bi, se já soubessem da transsexualidade com certeza iam aceitar. Meu problema raiz se foca nisso.
Toda a minha auto-estima, personalidade, o que sou basicamente vem desse conflito. Indo direto ao ponto, eu me escondi porque tinha medo de apanhar. Não só dos meus pais, mas de todo mundo. De longe, nunca confiei na minha própria capacidade pra isso. Praticamente enfrentar o mundo, com uns 6 anos de idade é muita coisa. Só conseguiria com apoio familiar, que não tinha. Porque graças à cultura machista e cristã que prega um preconceito contra pessoas como eu, que eu sabia que todo mundo que conhecia era, inclusive meus pais, não contei por causa de medo. Eu pensava direto como seria se eu contasse, a maioria das vezes nos devaneios eu saia de casa. Claro, contar nunca aconteceu. Logo, eu fui crescendo como qualquer criança. Os problemas comuns, como a auto-imagem, que para mim a ideal era a feminina, se tornaram cada vez mais negativas. Juntando isso com o velho problema de adaptação que todo mundo já teve em algum nível, temos uma criança insegura. Sem auto-estima. Para não demonstrar isso, parecer feliz como todo mundo era,a solução, eu escondia meus sentimentos e opiniões. Agora você tem uma criança insegura que não sabe se comunicar. Quando eu tinha 6 anos de idade, mais ou menos em maio, conclui deus não existia. Diziam que ele era omnipresente e bondoso infinitamente. Um dia, eu chorava. Chamei deus pra me ajudar, ai ele nunca veio. Conclui "Ue ? Ele está em todos os lugares, como não aparece ? Acho que ele não existe." Desde então sou ateia. Ai que tá, meus pais não eram. Meu pai até nem liga pra isso, mas minha mãe ia direto nos domingos. Ainda trocava de igreja sempre. Elas sempre cristãs. O cristianismo condena pessoas como eu. Portanto se eu contasse, apanhava. Disso eu tinha medo. Novamente me escondi. Hoje não vão pra igreja, porém a velha ideologia cristã permanece.
  Hoje não ligo se apanhar. A questão é : a minha estrutura emocional é frágil, graças as mentiras que disse pra não apanhar, me tornei extremamente frágil e infeliz. Esse momento de me tornar o que sempre quis é um momento difícil. Existem muitas inseguranças envolvidas que sozinha não vou ser capaz de passar. Agora imagine, pais momento de adaptação no qual com certeza não vão conseguir dar o apoio necessário, pois estarão ocupados tentando aceitar a situação. O que é igualmente difícil. Só causaria traumas. As duas melhores saídas : eu me afastar ou me esconder....

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