segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Relato 046 : Triste....

  Já ouviram a expressão "Paredes tem ouvidos". Pois então, elas tem. Acabei de ouvir uma conversa dos meus pais sobre o namoro da minha sobrinha mais velha, que pra vocês tanto faz, vocês não sabem o nome mesmo. É que tem uma pessoa que conhece que vai ler. Voltando ao assunto, nessa conversa que era sobre o namoro deles, ouvi algo que comprova a minha teoria de serem homofóbicos e talvez racistas. O começo da conversa foi ignorado, pois o assunto não interessava. Quando começaram a falar do namoro de minha sobrinha comecei a ouvir. Como eu não tenho namorada, nem meu irmão, algo que tenho certeza que querem que eu tenha, para poder falar sobre e se orgulhar, e outras coisas que talvez façam. Como os filhos são solteiros, eles para compensar esse sentimento de "vazio" (já que a família seria igual a que vemos na tv sem esse "vazio"), falam do namoro das minhas sobrinhas. Eu não lembro como foi o começo da conversa sobre, talvez a motivação inicial fosse ele ter deixado o carro dele aqui em casa, pois não tinha onde colocar. Conversa vai, conversa vem. Meu pai, como pai, resolveu criticar o rapaz não sei pelo quê e minha mãe logo disse "Pelo menos ela não virou sapatão." Depois falou mais algo justificando e meu pai parece ter concordado. Esse diálogo demonstra que eles são homofobicos. Já ouvi outras coisas assim quando criança. Quando tem a oportunidade dizem essas pérolas, não falam tanto com medo de serem chamados de "preconceituosos".
  Mas por que diriam isso ? Por que se preocupam com a sexualidade dela ?
  Primeiramente, a sexualidade se forma no útero de uma mãe, graças à níveis diferentes de hormônios e etc. Não é algo controlável, ou seja, não aparece uma tela pro feto escolher como quer ser. Não é uma escolha. Se se preocupam assim com a sexualidade dela é porque eles talvez achem que a sexualidade possa ser escolhida e/ou mudada pela própria pessoa. Se não me engano, há alguns sinais na infância que se vê se a criança é hetero, gay, bi, trans ou etc. O ambiente não tem nada a ver com isso. Só nessa questão da expressão dessa sexualidade. Por exemplo, eu não tenho um espaço para isso, já que tenho pais rigorosos quanto a isso, logo tenho que mentir, mentir, mentir, mentir e mentir para garantir paz. Outras pessoas já tem sorte dos pais entenderem isso e levarem como algo natural que é.
  Segundo, só o fato de quererem algo específico à ela (a hetetossexualidaden, bom namoro e um bom emprego) significa que como avós pensam "no melhor para ela." Ai entra a questão deles achar que o conceito de melhor não é relativo. Eles pensam que ela sendo hetero vai ter uma vida melhor. E com certeza plena acham isso pra mim. Só que como sou diferente do que pensam, o meu melhor é não continuar do jeito que estou, pois se continuar vou me suicidar não importando quem sofra ou não. E a morte precoce por suicídio não parece algo bom. Se bem que penso em fazer umas coisas antes disso, como crimes. No dia do suicídio cometer alguns delitos.... Enfim, o melhor deles não é o meu melhor. Com certeza não entendem isso.
Terceiro esse medo que ela namore com um delinquente ou que vire lésbica demonstra uma infantilidade emocional. O amor da neta que não se quer perder e por isso "prendem" ela com medo. Aquele clássico amor que prende as pessoas aos interesses da amante. Egoísmo puro, esse é o amor. Maldito sentimento irracional que me fez ter suicídio como opção para o futuro....triste....

Nenhum comentário:

Postar um comentário