quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Relato 043 : Covardia

  Nessa segunda(19/08) e quarta(21/08) tentei comprar os hormonios. Não consegui em ambos os dias, porque me senti com medo. Reparei que era um medo que tinha a ver com medo da desaprovação das outras pessoas com isso. Com motivo, vivemos numa sociedade machista. Lembrei voltando pro ônibus que toda vez quando criança que algo ruim a meu respeito acontecia (tipo aquelas brincadeirinhas) me sentia da mesma maneira. Aconteceu o mesmo quando a minha mãe achou umas roupas femininas debaixo do meu colchão quando criança, senti o mesmo medo (já faziam a doutrinação "não seja gay").
  Talvez esse medo seja bobo..mas, como eu já disse, há motivo. Vivemos numa das sociedades mais preconceituosas em relação a tudo que não seja hetero, sambista, funkeiro, que não seja um telespectador assíduo da tv, que não tenha milhares de amigos e etc.. Esse medo de "ferrarem com a minha vida por não ser igual" tem uma raiz. Convivo todos os dias com pessoas intolerantes com alguma coisa e não estão presas por isso. Ou seja, o pessoal que pode me queimar numa fogueira anda livre por ai. Se fosse dizer quantos intolerantes(religioso, político, social e etc) que passam perto de mim, não conseguiria, posso dizer que a maioria.
  Tenho medo não só porque tenho quase a toda a sociedade me odiando, certo. Também porque se algo der algo errado, não tenho pra onde correr. Apesar dos meus pais me amarem (pelo menos acho isso rsrs), ainda são homofóbicos. (sempre rio quando lembro disso, porque eles são homófobicos e tem uma filha trans e bissexual rsrs.) . Esse medo tem raiz. Porque digamos que descubram tudo, como sou exatamente o que não gostam, vão me tratar mal. Como todo ser vivente de um mundo de duas causas, vão dizer sempre que quando erro ou algo dá errado, vai ser a minha sexualidade a culpada e tudo que acontecesse de bom seria como eu deveria ser segundo eles, o machão rsrs. Como nem eu vou poder sair de casa e morar em outro lugar e nem eles podem me expulsar, é crime afinal. Imagino o quanto isso vai ser traumático. Enquanto me escondo penso na minha sanidade mais tarde. Talvez covardia seja prudência exagerada, o que às vezes não machuca...

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