domingo, 4 de agosto de 2013

Relato 036 : Morrendo, chorando e mentindo

  Entre a tortura e a morte, qual escolheria ? Eu escolheria a morte. Só que há um problema, às vezes não há escolha ou as únicas opções são mais desagradáveis. Como escolher entre algo ruim e algo péssimo, melhor escolher o ruim, não concorda ? Sou pobre ( não tenho uma fonte de renda minha), dependo dos meus pais, sozinha e infeliz. Eu quero e muito sair da casa dos meus pais que odeio. Porém, não tenho pra onde ir, não tenho quase nenhuma qualificação profissional sendo obrigada a me prostituir e provavelmente não terei nenhuma ajuda vinda da minha família. Essa dependência financeira e não ter pra onde ir é o que me mantêm aqui.
  Não sei o que é felicidade faz tempo mesmo, chorar é o melhor que posso fazer, não tenho vontade de viver mais e por isso morro lentamente à caminho da desgraça. Infelizmente sou jovem e muitos não entendem que sou humana e também sofro, mesmo se você acha meu sofrimento algo bobo. Já ouvi coisas pela internet, de pessoas me dizendo "Arruma emprego e vê se vira homem", se essa pessoa estivesse ao vivo no mundo real teria levado um soco na cara. Tudo bem, começar a trabalhar, legal. Mas esse "vê se vira homem" me deu vontade de bater nessa pessoa. Eu nasci assim, como se tivesse nascido uma mulher dentro de um corpo de homem. Não posso mudar, é assim que sou, se você não aceita, que se foda ! Sua opinião não importa sobre quem devo ser ou não. Aliás é por causa disso, essa mania nazi de tentar mudar quem as pessoas são, é o que me faz sofrer. Meus pais são assim, ainda se tratando de um tema tabu pra eles, vão ser agressivos.
  E mentindo quem sou, a cada momento morro um pouco. Tenho raiva deles, por terem tanto poder sobre mim e usá-lo para tentar me moldar como um brinquedo. Raiva, tenho raiva o bastante pra começar uma guerra. Não expresso, se não morro. Aliás, não expresso mais nada. Nenhum sentimento. O mundo é uma grande pilha de lixo e nesse lixo é raro achar algo bom. Não ligo pra isso, não ligo pra felicidade, não ligo mais pro amor, não ligo pro prazer, não ligo pra morte e não ligo mais pra mim mesma. De todas as pessoas que conheço, sou a que menos mudou. Solitária, triste, sem expressão, sem amores, perspectivas para o futuro ou lembranças do passado, sem paixões, aliás sem nada, nem identidade. Daqui pra frente...nada importa. Morrer, chorar e mentir é tudo que sou....

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