sábado, 27 de julho de 2013

Sol - parte 6

  Aquela manhã foi estranha para Leo no acampamento dos rebeldes. Ninguém gritava com ninguém, praticavam tiro pela manhã, escutavam o velho punk rock, bebiam a bebida dourada, que apesar de ser dourada era muito barata, a cerveja. O mais interessante era as conversas deles : falavam de tudo um pouco com um nível decente de conhecimento. Leo comenta com um cara com uma vários piercings e o velho penteado punk "Na minha época não era assim, era raro achar pessoas para conversar e parece que aqui é diferente. Até os punks na minha época era babacas".  O rapaz responde "Somos assim por uma questão sobrevivência. As escolas de todos os lugares deixaram de ser um lugar para aprender, mas um lugar onde se vai para ser doutrinado. De uma forma simples : dizendo que devem ser bons cidadãos e criticos do que eles querem que critique. Estou falando de pessoas falando de alienação, sendo que são tão alienadas quanto os que tanto criticam. Como um clubinho patético falando mal de outro grupinho patético, são patéticos pois veêm apenas a si mesmo, veêm apenas o que querem ver.Ninguém é tão importante a ponto de um pensamento dela mudar todo o universo."
  Os autofalantes anunciavam que haveria aulas de história sobre o Governo Internacional. Todos se acomodaram num antigo auditório que havia perto dali. Na espera era perceptível a ansiedade pela palestra. Depois de vários séculos de ansiedade, na estimativa de um ansioso.(Na verdade foi uns dez minutos). Entra no auditório, um homem de aparência velha, careca e com uma barba longa. Em cima de uma mesa que havia no palco, tinha um chapéu que parecia ser de um mágico. O homem veste-o e diz "Oi, pessoal. Meu nome Larry Nine, eu sou o maluco que vai conduzir essa palestra. " E ele olhava para a toda a plateia. Tomou um copo d'a água e continuou falando "Como vocês sabem quem manda nesse mundo totalmente é o Governo Internacional, que chamaremos de "O olho cego". Por que cego ? Porque simplesmente domina as pessoas à partir disto. Cegueira. Para isso usam a religião, a educação e o conhecimento. Vocês acham que eles, os cidadãos do olho cego, sabem sobre a gente ? NÃO !!! E quem souber lá, é morto. Eles contam a história de que o mundo é apenas dentro daqueles muros. De que um deus matou à todos num julgamento final e eles são os merecedores da vida. Todos sabemos que não estamos mortos, mas para eles, estamos. Se não estivermos, eles tratam de fazer isso. Lutamos há muito tempo contra o olho cego, e ainda lutamos. Podemos derrotá-los, temos armas que desenvolvemos capazes de destruí-los. Mas são muito poucas, e por isso não são suficientes para acabar com eles no mundo todo. Por isso fizemos um acordo. Temos áreas delimitadas só nossas e eles a deles. Se eles vierem até nós, os matamos e vice-versa. Também temos a vantagem sobre a IA dos robôs deles, podemos derrotá-la com nossa scouter (Um óculos tecnológico) que é capaz de prever os movimentos das máquinas deles. Enfim, podemos vencê-los, mas não fazemos porque não vale a pena lutar. Para o quê ? Mais um governo com liberdade onde todos podem fazer suas tolices e por fim passar isso pro nosso governo. Ou uma ditadura que impede qualquer nível de pensamento individual, que transforme seus cidadãos em prisioneiros. Escolha !!! Existe um governo ideal ? Uma sociedade entre humanos que permita que tenham seus pensamentos, individualidades e sonhos, e que não comprometa com a vida dos outros ? Não. Eu recomendo a todos que falam em viver em sociedade que "Não existe nenhuma garantia que o outro obedeça as regras que obedece, portanto a lei não te protege. Procure proteger a si." Afinal, o que a lei faz ? Previne que os crimes aconteça ? Não, a moral e a ética fazem isso. A lei pune um ato criminoso depois de ocorrido. Se te matarem, o sujeito será punido depois disso. Mas também não há como punir antes. Mesmo se previssemos, só o fato de ver o que aconteceria já mudaria tudo. A lei é um conceito falho."
  Gabriela chama Leo na porta. Ele se levanta e sai. A palestra continua sem ele. Ela diz "Eu preciso muito te dizer uma coisa...que talvez mude a nossa relação. " Leo meio assustado pergunta " O que ? Como assim? O que mudaria a relação com a pessoa que salvou a minha vida ?".  Gabriela levanta a cabeça e diz "Só o fato de eu saber a cura para seu problema e não ter dito nada...." Leo "Como assim ? Não entendo...."
   Ela sobe em sua motocicleta e diz "Vem." Eles seguem para um laboratório dos rebeldes onde são desenvolvidos equipamentos  que em muitos aspectos superiores aos do olho cego. Na entrada ela diz uma senha ao segurança que tem membros robóticos ultra avançados, sendo superiores aos normais humanos. Com o avanço na robótica que se multiplica graças à criação de protocolos mais fáceis de se compreender, os membros humanos foram superados. Nascer deficiente ou se tornar um, passou a ser um privilégio, pois no lugar de um braço comum era possível equipar desde mp3 até armas de plasma de alta potência no seu braço. O ciborg de longe era o ser mais forte do planeta, deixando os humanos e as máquinas em segundo lugar. Dentro desse centro de pesquisa, Gabriela guia Leo até uma area onde se curam e criam, armas químicas e biológicas. Uma dessas armas era a droga que Sol injetara em Leo. Leo superconfuso pergunta "Mas essa droga foi feita antes ?". Gabriela responde "Essa droga só foi feita semana passada.". Leo "Mas Sol injetou isso em mim  2014." ...pensou "Só pode ter algo errado aqui"  Logo depois de pensar isso. A realidade se fragmentou e tudo acabava em pedaços. Tudo agora flutuava em fragmentos e a realidade se mostrava falsa. Num momento tudo some nas sombras e rapidamente num flash tudo fica branco. Leo se vê novamente na sua cela, no hospital psiquiátrico.
 

Nenhum comentário:

Postar um comentário