segunda-feira, 1 de julho de 2013

Relato 026 : A ingratidão como navalha

  Sabe quando você se lembra que existem pessoas que sofrem mais que você, isso te corta como uma navalha. Lembrar que existem mulheres que vendem o corpo para sustentar seus filhos, pais que trabalham o dia inteiro para poder dar boas condições de vida para os filhos, crianças que vivem com famílias desfuncionais, ou ainda pessoas que fogem de guerras civis em seus países. Isso me corta ao meio. Faz tudo o que faço e vou fazer parecer um simples lixo. Se conseguir curar o câncer, não vai ser nada, descobrir a origem do universo ou provar que ele é infinito, mesmo assim isso vai ser nada. Então devo me tornar pobre, ter 10 filhos, fazer de tudo para alimentá-los, desde me prostituir até traficar. Assim toda a minha vida vai fazer sentido, até mesmo a foda com um cara com ejaculação precoce até matar fazendeiros para usar a fazenda deles como plantação de coca. Tudo iria ter sentido.
  E ando pensando em não seguir ideologias, bem isso é uma ideologia, como a regra de que não tem regra. Pois se for usar essa lógica "Quanto mais sofro, mais motivos tenho para morrer", começo a sentir pena dessas pessoas, pois sofreram justamente por querer viver, já pessoas como eu não. Só o fato de eu me sentir insatisfeita, me torna ingrata. Pois muitas vezes eles justamente lutam por uma vida igual a minha. Seguindo essa lógica, portanto devo ser imóvel e aceitar tudo. Um amigo me disse isso, que não tenho motivos para sofrer. Usando à essa lógica, só porque meu pai começou a trabalhar cedo, cuidando sozinho da mãe doente e depois sozinho conseguir melhorar a própria vida, a minha mãe já aos 9 anos cuidava de uma casa de 6 pessoas ( a mãe dela, os 4 irmãos e a outra irmã), começou a trabalhar cedo como empregada doméstica e casou cedo. Graças à isso que eles fizeram não devo dar o desgosto (para eles) de me revelar bi e trans ?

  A sua resposta : Não

  A minha : Vou para longe para não atrapalhar....

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