segunda-feira, 17 de junho de 2013

Relato 023 : Ação

  Há momentos na vida que devemos fazer o necessário, sabe, discordo disso e afirmo que devemos sempre agir. Do que adianta esperar a hora certa para fazer as coisas, além de que quanto mais você espera mais coragem você perde. Quer falar com uma pessoa que você gosta? Vai lá e fala de uma vez, ao invés de esperar "aquele momento", esse tipo de coisa funciona da mesma forma que espinhos : Se você os deixar muito tempo inflamam, agora se tirar rápido, nem vai sentir falta deles. É difícil dar o primeiro passo, porém quando dado, o resto flui. Eu cresci com a idéia que tinha que estudar muito, arrumar em emprego que pague bem mesmo não gostando de o fazer e criar uma família, aí não posso esquecer de ter o mesmo sonho de todo brasileiro, a casa própria.
  Esse destino definido nos faz ser malditas criaturas que só sabem esperar, é mais fácil ter um destino, a velha trilha aberta na floresta do que abrir uma trilha nova. O caminho mais fácil nem sempre é o certo, às vezes é, não sempre. Somos capazes de criar a nossa própria história, é um clichê hollydiano antigo, porém tem sentido e é tão insignificantemente simples que parece melhor dizer "Tudo no universo foi definido, previamente, cada evento, cada simples gesto faz parte de um plano". Por que acreditar no destino pré-definido? Simples, assuma a responsabilidade do próprio destino. Quem faz isso é uma pessoa sábia, quem não faz precisa descobrir a importância disso.
  Colocar a culpa nos outros, é coisa de criança que muita gente adulta ainda faz e eu fazia. Antes, para mim, a culpa da minha infelicidade era graças à sociedade, meus pais e o mundo. E com o tempo percebi que eu não era tão importante à ponto da sociedade e do mundo se focar em me fazer infeliz, da mesma maneira os meus pensamentos não influenciam o mundo diretamente, mas indiretamente onde o expresso (que necessariamente não vai fazer o mundo mudar, pelo menos radicalmente). Se eu tinha ( acho que tenho ainda ) medo era por culpa minha, o medo é mera produção da mente, da minha no caso. É um tipo de preconceito primitivo que funciona da seguinte maneira : Tenho medo do que pode ameaçar minha integridade. No meu caso, o medo era de mim mesma, pois ser bi não vai ameaçar a minha integridade, que para mim não tem nada a ver com o social. É uma daquelas situações que alguém adulto vem e te diz "Você não tem nada de anormal, você é você e ninguém pode mudar". Eu tinha medo de mim. Não tive essa compreensão das pessoas, tive que descobrir sozinha que não é nada anormal. Ter uma personalidade diferente é anormal, porém ser bi não.
  Hoje percebo que toda aquela tristeza foi causada por mim em mim. A única pessoa que pode ajudar a acabar com o sofrimento que me causei, sou eu mesma, claro não posso acabar com todo o sofrimento, pelo menos diminuir acho que é possível.

"O rio só corre quando a nascente flui." Marlin Rose Jones

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