domingo, 26 de maio de 2013

Sol - Parte 3

  Havia algo estranho no ar e não era maconha. O ar estava abafado, como se algo estivesse pegando fogo, estava muito quente lá dentro e então Leo resolveu abrir a janela viu mas algo que o impediu do ato: a cidade estava destruída. Os prédios todos ou pegando fogo ou caindo aos pedaços, nas ruas tiroteios entre pessoas comuns, era possível ouvir bebês chorando, era a "anarquia" segundo alguns cidadãos fugindo, que provavelmente nem sabem o que é anarquia mesmo. Num momento ele viu um helicóptero do governo atirando nas pessoas e obrigando alguns a entrarem num tanque que era tipo uma prisão ambulante. Ele pensou "Antes as pessoas matavam moralmente umas as outras e a si mesmas, hoje são sensatas e pelo menos são sinceras o bastante para atirar para matar e se matar fisicamente."
  Meio desnorteado com tudo isso, pensou "Só pode ser um sonho", lembrou das instruções do doutor sobre os reality checks, olhou as próprias mãos e tudo normal, foi ao banheiro olhar no espelho e se viu barbudo. "Como pode ser? Fiz a barba ontem, isso só pode ser um sonho". "Oi?" disse uma voz feminina, Leo virou e viu uma uma moça alta, com uma roupa de exército bem apertada, ela tinha olhos azuis e era loira, tinha um corpo magro e provavelmente teria sido modelo se não fosse essa guerra.
  Ele disse "Quem é você?", ela disse "Quem faz as perguntas sou eu, afinal eu estou armada. Quem é você e o que faz aqui?", ela apontou uma pistola que parecia ser uma daquelas de filmes western, porém ela era meio futurista. Ele levantou as mãos e disse "Tudo bem, pode se acalmar, estou desarmado e me chamo Leo. Aqui era a minha antiga casa, eu estava num hospital psiquiátrico que mais parecia uma prisão, fui dormir quando acordei, fui parar aqui. Antes disso eu estava amarrado na cama porque uma amiga, Sol, me amarrou e depois me drogou com uma droga militar." , ela " Me desculpe, capitão, eu não havia o reconhecido. Sou Gabriela, sou uma soldado deste lugar, na verdade sou a última. Aquelas pessoas são os cidadãos e o helicóptero era do Governo Internacional. ", " Capitão, eu sou um capitão?" disse ele, ela "Sim, você lutou bravamente contra esse governo deste o começo da guerra.", "Que guerra e quem é esse Governo Internacional?"  disse ele, ela "Me desculpe, eu acho que as drogas que usei para parar a dor te deixaram com amnésia. Não se preocupe, eu explico tudo para você. Em 2036, a crise econômica fez com que muitos países falidos na Europa se unissem e se tornarem uma aliança. No começo a idéia era criar uma aliança que promove-se  governos democráticos e que até mesmo o mais miserável não passasse fome. Foi em 2037, instituído um governo parlamentar, igual ao adotado pelos ingleses, em todos os países da aliança. A constituição era democrática e era exageradamente democrática, cabendo ao povo vetar leis que não gostavam e ter a decisão final sobre qualquer coisa. A economia se desenvolveu rápido com o investimento de empresas querendo produzir com um custo menor, graças aos poucos impostos que lá havia e da mão de obra abundante. Logo, em 2040, a aliança conseguiu fazer seus habitantes viverem com a melhor qualidade de vida do mundo e além de terem ganhado status de potência econômica, superando a China, o Japão e os Estados Unidos, juntos, pois eles haviam sido atacados massivamente na 3 guerra mundial que havia começado em 2034, e a aliança emprestou dinheiro à eles quando a sua economia prosperava. Eles perderam a guerra para a União dos Países Islâmicos, que conquistaram a China, o Japão e parte dos Estados Unidos. Com medo que seus países fossem facilmente conquistados pela UPI, países latino-americanos, europeus, asiáticos, africanos e da oceânia se uniram a aliança. Rapidamente, a aliança se expandiu e no ano de 2041 conseguiu o status de maior império do mundo, pois a aliança se tornou um grande país. Agora de chamava de Aliança Democrática do Mundo. Era o país perfeito, tudo funcionava, inclusive na perseguição de qualquer um que fosse contra a aliança, ou que fosse pecador. Em menos de um mês disso acontecer, a aliança acabou com a UPI e seus territorios se anexaram a ela." Ela para a explicação quando Leo parece começa a reagir estranho.
  Leo fica uns momentos em silêncio, passou as mãos na cabeça, olhou no relógio quebrado marcando 15:30, a hora em que Sol injetara aquela substância desconhecida nele e ouvia os sons de alarme de invasão. "Pode continuar. Mas o que um governo democrático tem de opressor?  E aonde eu entro nisso?" disse ele, ela respirou fundo e disse "Tem certeza que quer saber?", ele "Sim" , ela "Em 2031 você já imaginava que os três países falidos iriam formar alianças e por isso sempre foi contra. Não só por isso, mas porque sabia que esse governo que dava poderes de presidente ao povo e seria tão ruim quanto um com um louco bêbado no poder. A coletividade é sempre prática e nunca quis pensar em nada além de si mesma não por egoísmo mas por medo, por isso qualquer um que a elogiasse já estava bom, sempre foram conquistadas por um bom falador. Não ligavam para as minorias, na verdade queriam destruí-las, e quando puderam o fizeram, não apoiavam os esportes que a maioria não gostava, os artistas tinham que fazer arte com a aprovação deles . ", "Desde o começo eu lutei contra isso" ele  disse, ela " Porém, muitas pessoas não seguiram você, apenas algumas pessoas como eu entenderam o quanto isso era perigoso. Esses bons faladores conquistavam a confiança do povo e se tornaram tudo o que sempre quiseram: ditadores. A aliança começava a oscilar quando isso acontecia, como o império romano, pois não tinha mais territórios a conquistar. O povo praticamente pedia um salvador, ou seja, um ditador. Mário Luto, conquistou a todos na época, fazendo algo parecido com o que hitler fizera. No começo tudo parecia próspero novamente, até que a maioria pedia a perseguição das minorias, medidas mais autoritárias por parte do governo e com o tempo a aliança virou uma ditadura, e passou a se chamar "Governo Internacional". Ditada por um ditador que devia satisfazer as vontades do povo e ainda sair como herói. Por isso fomos contra tudo isso. " , ele diz "Então, temos um plano?", ela disse "Eu não sei de nenhum plano, senão sobreviver e o plano b seria morrer." "O que você acha de descansar um pouco?" disse ele, ela disse "Ótima idéia, estou muita exausta de tanto escapar da morte." , Leo voltou a cama e Gabriela se despiu e vestiu uma camisola de seda em plena guerra.
  Ela se deitou e logo dormiu. Leo ficou pensando a noite inteira "O que foi que eu fiz?".
  Ele conseguia ouvir os sons das sirenes policiais que anunciavam o toque de recolher, era possível ouvir os gritos das pessoas nas ruas, o desespero nas vozes era perceptível, uns segundos depois ouve-se um forte estrondo. Era de uma bomba e os gritos cessaram, só se ouvia apenas o silêncio. Os carros da polícia andando lentamente e depois um autofalante repetindo "Toque de recolher! Todos os sobreviventes serão considerados inimigos do estado, rendam-se ou morram!".
  Gabriela dormia como um anjo, Leo olhava para ela e tentava decifrar o que ela estava sonhando. Ele não se conformava, como alguém que lutou em guerras, ouvia todas aquelas coisas que causariam pesadelos em qualquer um, como?

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