quinta-feira, 23 de maio de 2013

Sol - Parte 2

  Sol e Leo perambulavam por aí, eram nômades, pois viviam pelo menos uma semana em uma cidade nos hotéis, pousadas e motéis. Como não tinham uma residência fixa, não conseguiam empregos muito bons, como por exemplo Leo geralmente virava garçom, pedreiro, segurança, professor e num momento dançarino de boate, um stripper, algo que ele não gostava de se lembrar. Imagine : um monte de coroas gritando e ele usando uma sunga de oncinha, as velinhas exageravam, gritavam o nome dele mesmo Leo com aquele rebolado desajeitado, e como aquelas senhoras eram histéricas, nossa, algumas até tentaram tirar a sunga do pobre coitado e Sol no bar se matava de rir e zoa com a cara dele desde então.
  Quanto aos empregos de Sol eram geralmente envolvidos com a arte. Ela sabia pintar quadros à óleo e tocava uns oito instrumentos musicais: flauta, violão, baixo, piano, violino, guitarra e ainda sabia cantar. Geralmente ela conseguia mais dinheiro do que Leo, pois era muito boa no que fazia e por isso tentava ensinar algum desses instrumentos que sabia tocar para Leo. E ele tentava aprender mas não tinha tanto talento como ela.
  Enfim, eles viviam assim nômades mas queriam achar um lugar para se chamar de lar. Não um que tivesse gente em casas bonitas, carros do ano, com ruas asfaltadas e limpas, também não queriam morar num lugar extremamente pobre, violento, cheio de gente morrendo e sendo estuprada mas num lugar que fosse lindo, não o paraíso  e não o inferno, e sim onde pudessem continuar sendo os exploradores que eram.
  Há três meses que Leo saíra de casa, três meses que havia reencontrado Sol e há três meses foi mais feliz do que nunca. Havia saído de casa em novembro e três meses depois de novembro é fevereiro, certo?
  No mês do carnaval os três meses que conhecera aquela garota se completavam e ele queria se declarar à ela, ser o seu namorado. O presente que pensava em dar, um anel, não um anel comum mas um que fosse especial. Foi numa joalheria e viu um anel que tinha uma ruby em forma de sol. Ele pensou "Ela vai adorar....espero." Só que como vivemos num mundo capitalista e o dinheiro é a moeda de compras e vendas, ele não poderia dar um porco, uma galinha e/ou qualquer outra coisa para pagar o anel. Custava mil e duzentos e noventa e nove reais e dez centavos. Os dez centavos tinha, o resto era o que faltava. Se quisesse comprar aquilo teria que se ficar naquela cidade.
  O problema de ficar nessa cidade era que ela é meio sinistra, hostil e ainda muito fria. A atendente do hotel por exemplo, sempre com um chiclete na boca, ela tinha um rosto pálido, olhos negros, cabelos curtos e tinha uns quarenta anos. Ela era muito grossa, alguns dizem que a namorada dela traiu ela e daí ela ficou assim, outros dizem que ela usa algum tipo de droga como um anabolizante bem forte e viciante, e ainda há quem diz que podem ser as duas coisas. E também tinha um cara que sempre usava diversos disfarces e ele era muito bom, era um maníaco sexual, isso o tornava perigoso. Há boatos de que ele estuprava moradores de rua e se uma casa tivesse uma janela aberta ele entrava e estuprava quem estava lá. No banheiro do hotel( lugar onde ele ataca também) ele conheceu Leo, quando ele estava escovando os dentes, Leo ficou meio assustado. O nome dele é incerto alguns o chamam de Sofia quando se disfarça de mulher, Nascimento quanto se veste de policial, Geraldo quando se disfarça de faxineiro e tem outras centenas de nomes baseados nos seus disfarces. Ele não é reconhecido até que se apresente com os disfarces, ninguém sabe como ele é quando não está disfarçado e ninguém sabe o seu verdadeiro nome.
  No banheiro o estuprador se apresentou como Jack e disse que era  estuprador, usava uma roupa de ginástica, disse para Leo "Você tem sorte de eu estar escovando os dentes, não gosto de atacar enquanto escovo, mas sim depois." Isso deu um frio na espinha de Leo.
  As pessoas dessa cidade eram vazias, pensavam apenas em trabalhar e em usar drogas. Além de ficar com neblina à noite e fazer muito frio.
  Leo pensou "Talvez a próxima cidade seja melhor, aqui é muito estranho." Sol também não aguentava mais viver ali, não dizia por motivos desconhecidos, mas dava para ver no seu rosto como aquele lugar a oprimia. Apesar disso não ser anormal para ela, nesses três meses não disse onde nasceu, a história dela, o nome real mesmo porque aquele nome que disse na praça não existe, ela mesmo disse uns dias depois. Ele sempre tentava e ela sempre fugia para não responder tais perguntas.
  Era dia dezesseis de fevereiro, chovia, isso mesmo chovia em fevereiro naquela cidade, ele acorda feliz , pois na noite anterior eles haviam feito amor. A cama estava vazia e Sol estava na janela, nua, olhando a chuva com um olhar desolado que nunca havia visto naquele rosto. Preocupado perguntou "Você está bem? " e ela respondeu "Não", "Por quê ? " disse ele, ela "Às vezes algumas coisas devem ficar sem ser conhecidas para que o sonho continue.", "Como assim?" disse ele, ela respondeu "Isso vai fazer você acordar!!!" ,vestiu um vestido florido e saiu chorando de lá, ele até tentou mas estava preso na cama.
  "Acordar de o quê? Desde que chegamos aqui ela tem agido muito estranho." pensou ele.
  Ele gritou para que alguém o soltasse de lá e nada, ninguém veio. Ficou lá a manhã toda, teve a sorte de conseguir alcançar o controle da tv e conseguir não ficar muito entediado. Ao mesmo tempo mil perguntas sem resposta vinham à sua mente "Por que ela anda tão triste aqui, será que ela teve algum trauma com essa cidade? Talvez Jack tenha feito algo? E se fez....eu o mato. Dizem que ele vive aqui há muito tempo, e, talvez saiba de algo sobre Sol." pensou.
  Era três e meia da tarde, como não aguentava mais assistir tv foi dormir. Estava numa soneca até que Sol entra rapidamente no quarto e injeta algo nele. Logo ele desmaia.
  Não sabe se está sonhando ou se acordou, estava numa sala toda branca e estava vestindo branco. Era estranho. Uma voz num alto falante diz " Paciente 1243, doze quarenta e três. Perfil : calmo, tem muitas habilidades motoras, bastante inteligente, não sabe onde está." e uma porta com homens armados se abre, eles o algemam e levam para um corredor branco cheio de celas iguais a dele, o carregam até uma sala. Lá o prendem numa cadeira fixa no chão, na frente dele há uma mesa e do outro lado dela há um cara velho usando óculos e um jaleco. Aquele senhor disse "Me desculpe pela grosseria dos rapazes, não leve a mal", ele "Tudo bem, eu sei, isso tudo é um sonho", o senhor "Meu nome é Gustav, você tem realmente certeza de que está sonhando?", ele "Sim, uma amiga, Sol, injetou algo em mim, isso tudo só pode ser uma alucinação." , Gustav com gesto mandou um dos guardas baterem em Leo, e ele grita de dor. Gustav " O que  você acha agora?, ele "Acordei? Quer dizer que tudo aqueles momentos com Sol, eram um sonho? Nossa, agora eu sei a realidade é triste.", Gustav "Você não acordou, você está sonhando. Aquela droga é avançada, foi criada por cientistas militares e cientistas de universidades para treinar soldados. Pela hipersensibilidade que você parece ter com a dor, ela deve ter usado a dose superconcentrada, extremamente mortal. Para testá-la alguns soldados ficaram na uti para não ter o risco de morte. Ela causa alucinações tão realistas que pode-se ficar anos tentando sair delas."
, ele "E como faço para sair disso?", Gustav "Se auto-conhecendo, tentando lembrar filmes, livros, jogos de game, pessoas que conhece e suas características, a mente geralmente vem de arquétipos como o super-homem, exemplo de força e também admiração . As alucinações são imagens vindas da sua mente, portanto você se conhecendo, vai saber como acordar." Leo fecha os olhos e diz rapidamente "Acorda, acorda, acorda", Gustav "Isso não funciona, você tem que realmente acreditar que está sonhando. Algumas pessoas são capazes de controlar os sonhos e essas pessoas podem fazer o que bem entendem no sonho, como deuses." , e ele com um olhar espantado "Sério, como posso fazer isso?", Gustav " Descobrindo se está sonhando", Leo diz " Mas como?", Gustav " Com reality checks, como achar algo que não exista na realidade, o modo mais fácil é olhar as mãos, olhar no espelho e em sonhos mais realistas você tem que procurar coisas incomuns à realidade, algo como um elefante cor-de-rosa.".
Ele "Por que está me ajudando?", Gustav " É o meu trabalho como seu psicólogo particular. Eu sou o self da sua mente, eu fui desenvolvido em milhares e milhares de anos nos cérebros humanos. Eu mando mensagens nos sonhos. Sempre estive com você, só você que não me ouviu. Agora você tem que ir"
   Os guardas logo o levaram de volta a cela. Lá apagam a luz e Leo foi dormir. Teve um pesadelo com Jack e Sol. No quarto de hotel que estavam, Sol estava lendo um livro até que Jack com uma faca a domina. Ele a joga na cama, começa a estuprá-la e esfaquea-la ao mesmo tempo e dizendo "Leo, você não há nada que você possa fazer, hahaha" e Sol dizia "Cade você Leo, onde você está? Preciso de você!!!Me salva...eu quero viver." Quando Jack termina de matá-la, corta a cabeça dela e a segura dizendo "Tudo isso é culpa sua! Por que não salvou ela? Você é um covarde!!".
  Leo acorda ofegante. Só que acorda em sua antiga casa : o apartamento 225 mas, há algo estranho no ar.

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