domingo, 26 de maio de 2013

Relato 015 : Transparente

  Acordei às 6 da manhã, só que sou fui levantar 10 minutos depois, pois tirei uma soneca. Era como se eu não quisesse ir, como se não devesse que fazer aquilo : ir estudar naquele curso. Tomei café e me arrumei, e quando fui sair, abri a porta e vi uma neblina. Lembro como disse "Nossa, que animador uma neblina assustadora" com um tom sarcástico para mim mesma. Eu era obrigada a sair, não por ser obrigatório mas por ser jovem e ter um curso técnico vai garantir um emprego, no mínimo, decente. Não é a pior coisa do mundo mas, fazer algo obrigada é algo como mentir a mim mesma, e dizer que não tenho escolha quando tenho.
  Eu sou uma pessoa meio doente, pois sei dos meus problemas, não os resolvo e ainda sei a solução. Tudo bem, isso não importa....agora. Enfim, a neblina era forte, não dava para enxergar a esquina da minha rua e o sol não estava lá com vontade de acabar com a palhaçada. Fui normalmente para aula, ou seja, sem vontade. Chegando lá, lembro que uma semana antes como tudo era, todos sem falar comigo até eu falar com eles, hoje (segunda-feira ou terça da semana passada) resolvi testar algo: Se iriam lembrar que existo sem eu precisar fazer isso. Resultado : Ninguém lembrou de mim.
  Era esperado, afinal : não tenho nada a oferecer. Não fiquei triste, agora pelo menos sei, que quem se aproxima de mim, se aproxima por nada, o que é bom de alguma maneira. É estranho ter certeza que se está sozinha, que se vai morrer sozinha, que não se tem amigos por perto e que a probabilidade de achar alguém que me ame realmente é mínima. A vida é essa a afinal, a vida é uma desgraça, uma ironia sem fim. Agora (26/05) não entendo como a minha mãe consegue conversar sobre nada ao telefone por tanto tempo. Até agora falou de : casas, salário do cunhado, colocar bebês em escola integral, as tentativas de suicídio da minha irmã, sobre o conselho da minha mãe sobre as minhas sobrinhas terem que encontar um ricaço e não ficar grávidas de zé ruelas.
  O problema da minha irmã é não ser compreendida pelas pessoas, ser uma cega que não valoriza o que tem, de sempre procurar "deus" quando é conveniente, não cuidar dos 4 filhos e ficar trabalhando 12 horas, é a minha irmã, eu sei, mas é burra, teve uns três casamentos que deram errado, será que não viu ainda que casar assim do nada é burrice? As minhas sobrinhas até entendo ela dizer isso à elas, é o mesmo que ela dizer para mim estudar automação, ela pensa no futuro que ela quer para ela, pois as meninas sendo ricas iriam ajudar à ela. Puro capitalismo.
  Por que escrevo isso? Não  é importante? Afinal, quem se importa com o por quê de alguém tentar se matar? Não é ninguém importante, é só uma mãe com 4 filhos e que está procurando um divórcio de mais um casamento que não dava certo ? Ela trabalhava 12 horas e pagava as contas e ele não fazia nada, o que há de errado? E com as meninas, esse desejo de minha mãe não está errado, tem tudo a ver com aquelas garotas estupidamente egoístas, como toda garota de 16 anos com um namorado, elas só pensam nelas e por que será? Só penso que isso é importante, ninguém parece se importar, é como se isso tudo, com as meninas, comigo e com a minha irmã, fosse transparente.

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