sábado, 11 de maio de 2013

Relato 010: Minha sexta-feira extraordinária

Hoje acordei sem vontade de levantar, porque eu sabia o que iria acontecer.Era 3 da tarde na sexta-feira, eu acordava. Meu pai havia saído e só voltado aquela hora, ele me disse que havia ligado.
  Ele havia trazido marmitas, que estavam boas mas não comi muito, fiz como muitas modelos e joguei o resto do pouco que comi no terreno baldio que tem do lado da minha casa.
  Meu pai depois de um tempo saiu de novo, e eu novamente estava sozinha em casa. Não fui fazer sacanagem, mas fiquei perdida vendo televisão paga, eu dizia à mim mesma quantos canais , quanta merda.
A que ponto eu havia chegado para ficar vendo televisão. Eu iria para o computador mas eu estava mal, não queria ficar ali, eu teria que mexer no mouse, no teclado e ainda teria que aguentar fazer o que faço sempre quando não tenho nada para fazer.
  Eu pensava em como eu não tinha ânimo, era desumano. Mas teve uma coisa que nesse mar de depressão que me desanimou muito: tinha aula. Eu reclamo dos outros que não vão para aula por gostarem, isso era uma autocrítica infeliz, mas você por acaso se animaria em ir para uma escola que tem uma certa estrutura, se você for comparar com outras escolas públicas, que é mal administrada e você ainda tem que ir lá ver a aula de professores mal pagos e estressados. Você se animaria?
  Enfim, hoje graças à esse forte sentimento demorei para começar me arrumar e fiquei lá vendo aquelas porcarias que passam na televisão. Minha querida mãe, chegou às 4 e 30 da tarde mais ou menos, ela gritava no portão para que eu o abrisse pois era automático.
  Nem oi ela disse, chegou me dizendo mil ofensas graças às compras que meu pai havia colocado na mesa que tem do lado de fora de casa, em um lugar meio que uma área, e de que eu não sabia da existência.
  Cada vez mais sinto que não gosto dela, e ela o mesmo. Sabe eu sei que os pais querem proteger os filhos, torná-los bons cidadãos, mas do que adianta ser um bom cidadão se eu sou infeliz?
  Graças à visita da minha irmã mais velha, ela ficou louca. Ficou horas falando mil coisas que só me ajudam à me lembrar como eu sou inútil. Ela gritava comigo até mesmo quando eu fazia o que ela pedia. Só digo uma coisa sobre isso : triste.
  Era 5 da tarde, a minha mãe corria contra o tempo para que a casa ficasse arrumada para que a minha irmã chegasse e a casa estivesse um brinco. Ela liga muito mais para a filha que não falou com ela, só porque recebeu um empurrão e por acidente se machucou. Eu duvido que fizesse o mesmo por mim.
  Bem, meu pai chegou às 5 horas e 30 minutos tarde, percebi que quanto você está infeliz a hora não passa. Eu, meu irmão(que tinha chegado da escola) e minha mãe ainda estavámos arrumando a casa, que quase estava totalmente arrumada.
  Ela continuava gritando, e não se conformava por eu concordar com ela me chamar de inútil. Só penso comigo mesma, que talvez fosse melhor me assumir, assim eles me expulsariam de casa e eu viraria prostituta, pelo menos eu seria feliz. Só não o faço porque não quero ser prostituta, seria ser muito igual à todos.
  O irônico é que eu queria ir para aquela escola desestimulante. E quando fui não liguei pois sabia o que iria acontecer. Eu iria ficar sentada antes da aula, quando outros ficam conversando com os amigos, eu preferia não fingir que tinha algum e ficar ali só escutando música.
  A música me salva, é o meu único prazer, sem ela eu não seria nada. E depois eu assistiria as aulas com os meus olhos inexpressivos e vazios. Eu gritava por dentro, não aguento mais, não quero mais viver assim, quero morrer se é para continuar assim.
  A última aula era de filosofia. Eu gosto de filosofia, não expresso porque aí eu seria taxada de diferente e iriam ficar me enchendo o saco para fazer trabalhos e ficar dando cola na prova. Eu lembro bem dessa aula.
  Um pouco antes da aula eu via a decepção de um colega porque era aula de filosofia e ele se sentou no fundo da sala, aposto que a decepção dele era enorme pois não tinha ido fugido como metade da sala havia feito. Lembro de como a professora dizia que havia explicado tudo que iria passar no quadro na aula anterior. Era sobre a teoria do conhecimento, ela havia explicado sobre as três vertentes como o racionalismo, empirismo e o apriorismo kantiano. Interessante. Não era o que a maioria achava, ela deve achar muito chato dar aula nessa minha sala, nas outras ela sorri e na minha nunca vi isso acontecer.
  Ela foi até legal hoje, nos liberou mais cedo, mas sei que no fundo mesmo ela queria discutir, refletir sobre o assunto, ela sabia que com aquela sala não faria tal proeza, pois todos eram muito idiotas o bastante para que fosse possível uma discussão decente.
  Fui para casa, não pensava, nem ao menos lembrava que haveria visitas em casa. Cheguei no portão, gritei para que abrissem como sempre. Entrei e vi a minha sobrinha que não tinha ido para aula junto com o meu sobrinho mais novo. Deu o clássico oi, fui para o meu quarto jogar a mochila na cama mas antes a sobrinha havia me perguntado o que tinha na aula, com a mochila ainda nas costas respondi, que o trabalho de história havia sido cancelado, que não haviam provas apenas matéria passada no quarto, que alguns alunos saíram fugiram depois do recreio,e que ficaram poucos alunos na sala. Ela respondeu "que bom que não fui pra aula hoje" olhando para tv mexendo no celular ao mesmo tempo, sentada no sofá debaixo das cobertas.
  Voltei para o caminho de meu quarto, joguei a minha mochila na cama e percebi que meu irmão estava num colchão no chão embaixo de edredons novos. Porque a minha irmã, meu cunhado e meu sobrinho iriam ficar no quarto dele.
  Ele estava escutando música, os Beatles(que bom). Sabe eu queria mostrar para ele algumas músicas que eu escuto mas ele vivia interrompendo elas e mudando de faixa, então desisti.
  Um pouco antes dessa desistência, minha outra sobrinha que parou de falar comigo depois que achou pessoas melhores para conversar, veio me contar que foi ver um filme sobre o Renato Russo e o Aborto Elétrico, disse que o filme era muito bom. Eu gostaria de vê-lo, mas sei muita coisa sobre pessoas que mudam o mundo, elas são loucas.
  Fui tomar café com...........esse post já tá ficando chato,rsrs.
  Vou pular para parte boa.....ops essa parte não existe.
   Mais tarde em minha cama escrevendo o post anterior e recebo a mensagem de um amigo.
  Sabe converso com ele como me sinto vazia e tal, ele me diz para eu me assumir, respondo que sinto medo, ele me diz que deveria me matar, eu respondo que não tenho uma arma, e ele me diz que se tomar um remédio bem forte com bebida alcoólica eu morro e ainda não vou sentir dor, eu respondo que não sabia disso e que parece uma melhor opção porque é mais barata e ainda indolor, ele me diz que eu não vou fazer isso, eu respondo que penso em fazer, ele diz que não se responsabiliza, eu um pouco mais pra frente na conversa digo que seria uma boa antes morrer usando lsd, maconha e outros alucinógenos, ele me diz " cara, vc eh virgem..."e bv " " e mora com a mãe" "pfvr ", eu digo que saio e faço tudo isso e que nunca tinha me visto dessa forma "virgem, bv e mora com os pais" me faz perceber como eu sou insignificante. A conversa acaba e essa última parte não é respondida.
  Fiquei a madrugada de sábado escrevendo e agora escuto o meu irmão se mexendo na cama.

"Na vida o bom inquestionável é o seu maior mal"
    Marlin Rose Jones
 

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