sábado, 13 de abril de 2013

Um desabafo

  Às vezes tudo parece ruim pra mim. Ter que fingir o que não sou me mata por dentro e eu quero que isso pare mas , não consigo.
  Eu não sei o porquê disso, talvez seja o fato da falta de amigos próximos, o único que eu acho que tenho só fala comigo no face e ultimamente acho que ele anda me ignorando, talvez a falta de apoio familiar emocionalmente, nunca tive aquele apoio "filho faça o que fizer continuaremos te amando" mas sim um "estude para ter uma profissão", talvez a falta de fazer mais coisas que eu gosto como tocar violão e no fundo aquela grande vontade de tocar junto com alguém , ops esse último se choca com o "eu não tenho amigos".
  E eu sinto uma vontade de me expressar monstruosa , que se choca com todos esses fatos, não , não se choca.
  Aí que está o ponto em que todas minhas dúvidas sobre a minha propria existência. Meus pais não aceitam nem que eu me vista do jeito que eu queria, não me apoiam em praticamente em nada que faço, não tenho amigos, então não tenho de quem cobrar a não ser de mim mesma nesse quesito e eu não fazer o que gosto com mais frequência só é culpa minha.
  O que mais me intriga é que eu quero sair do armário, fazer o que gosto e ter alguns amigos, e talvez até alguém que me ame.  Então o que me impede? A minha família? A sociedade? O medo?
  Nada, aí que está! Nada me impede. Como já disse isso é o que mais me intriga!
Como disse num post anterior , a culpa me impediu, culpa ? 
  Vamos começar do começo....
  Resumindo a minha vida foi :
" Eu nasci com um problema nas pernas chamado luxação, não estavam encaixadas na bacia. Passei a minha infância com dor nas pernas depois de um dia brincando. Até que com 5 anos de idade fiz a minha primeira cirurgia nas pernas, depois com 6, 7 , 8 e 9 anos de idade. Ficava meses fora da escola ,acho mais ou menos 5 meses. Na época da aprendizagem da socialização da criança. Quando com 6 anos me vi como trans mas, achava que era gay por falta de informação , eu sempre sentia uma sensação de que havia nascido no corpo errado que devia ser uma menina.  A ida forçada para igreja quando era criança acabava comigo pois ser gay era pecado, me sentia muito triste por isso. Até que comecei a me questionar " Eu acredito em deus mesmo? " , a minha resposta foi "Não,quem acredita são os meus pais, sem eles eu nunca teria acreditado nisso, não acredito nessas coisas,quem acredita são eles". Eu tinha 6 anos de idade.Isso diminuiu boa parte da culpa pois, agora eu não ia pro inferno porque pra mim não existe inferno,não existe céu , o que existe é que morremos e a idéia de que não vamos para lugar nenhum é assustadora por isso dizem isso."
  Os meus pais viajaram de Curitiba só porque em Floripa faziam a cirurgia para corrigir o problema, procuraram fazer a cirurgia cedo porque se eu fizesse a cirurgia mais tarde eu ficaria com as pernas tortas. Graças a isso , sinto que eles são bons pais.
  Essa mesma gratidão sempre me faz sentir como um filho insuficientemente bom, eu nunca faço nada que preste é isso que sinto. E sempre TODOS os meus familiares dizem:"Não vire gay".
Bissexual pode?rsrs Acho que não (até mesmo gays tem preconceito com bi).
  Trans e bi muito menos.
  Sempre penso comigo :
"Vou arrumar um emprego e um amigo para rachar o apartamento e contar tudo para eles, até isso vou  ficar quieta para não perder o amor deles que é menor do que um preconceito que nem sabem o porquê de terem."

  É triste mas é a verdade!
  Desde que percebi isso , ainda quando criança sinto uma falta de vontade de viver, uma tristeza profunda, uma falta de ânimo, não gosto de sair mais, uma vontade de dormir o dia inteiro , sinto como se houvesse uma falta de brilho e cores na vida e penso me matar às vezes.

Por isso o blog se chama , a depressão de Marlin Rose Jones , em francês.

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